quinta-feira, 31 de julho de 2014

Augusto Agosto

Chegamos a mais um fim de mês e com isso nascem várias expectativas. É hora de avaliarmos tudoo que aconteceu e tentarmos melhorar para que os erros acontecidos não se repitam. Podemos dizer que julho foi sangrento, violento e triste. Tivemos uma inveja celestial. Isso mesmo, uma inveja celestial.
Deus é capaz de criar tudo e os anjos se tornaram guardiões da humanidade, mas eles nos invejam. Nossa capacidade de fazermos as coisas e deixá-las a visão de todo, deixa-os com vontade de serem um pouco humanos. Contudo sua divindade não os deixam e então escolhem a dedos pessoas que serão abençoadas com dons angelicais, sendo assim a humanidade vê em obras consideradas de humanos os dons dos anjos. Mas os homens têm um fim e os anjos com sua bondade os levam aos seus para escreverem histórias para Deus. Foi o que aconteceu com João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna; humanos que criaram histórias fantásticas, encantaram o mundo, fascinaram povos; entretanto o que faziam eram obras de anjos e escrevem para eles obras de homens. Ficamos pobres e Deus mais rico.
Mas não foi só isso que julho nos revelou. Os aviões caíram, países se hostilizaram e para o Brasil uma saúde doente e uma futebol decadente Irmãos se matam por falta de uma conversa. Ele foi violento e sangrento.
Agosto bate palmas e pede licença e com ele os sonhos de um vento bom. Conhecido como o mês do cachorro louco, começará com 72 horas de paz. Tomara que ao invés de ser dura, ele seja de nobreza augusta.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Lembranças de uma pressa passageira

Tudo não passava de uma grande pressa,
Aquela que não tem a mínima pressa
Que deixava tudo curto e rápido demais.
Tinha pressa, mas não aquela espessa,
Não aquela presa por pressa;
Onde cada pressa era peça
De uma hora quase ilesa.
Tudo não passava de uma tremenda pressa
Em que olhos desatentos eram faróis de desalento.
Horas tornaram-se segundos em passes de mágica,
E mágica apenas uma extensão da pressa do mundo.
A pressa não era presa, de contínua inteligência,
Era apenas pressa, que não tinha pressa de eloquencia.
Pressa não tinha pressa, tinha presas,
Atadas em grandes mesas, algemas sem cadeias.
Ela era pressa, lenta, grande e passageira.

sábado, 26 de julho de 2014

Curió

O que curia um curiador?
Ele curia, mas não cura dor
Curia para ser sabedor,
No entanto ficou com fama
De um grande comentador.
Dessa fama desonrosa,
Não quis saber o curiador.
Foi-se mundo afora,
Tendo na vida de agora
Uma viola e um caderno anotador.
Já que sua sina era ser curiador,
Voou na vida sem temor
De dor e vida eterna,
Um pouco de tudo curiou.
Sua curia ficou sincera
E na hora mais deserta
Moda na sua viola cantou
E o mundo ganhou,
E um pouco mais quis saber
Que de nobreza se intitulou.
Assim se fez na história,
Porém tudo no caderno anotador ficou.
Sua vida ficou enferma,
Contudo da Medicina não curiou,
Apenas procurou um bom doutor;
A quem contou sua vida de curiador.
O doutor entusiasmado,
Um bom remédio receitou,
E aquele que curiava,
Tornou-se um observador.
A viola não tanto tocava,
E e no caderno tudo anotava
A tudo que observara.
Então o observador,
De sua janela reparou,
Que uma pequena ave,
De plumagem negra
E peito castor;
Para ele sempre olhou.
Com mil maravilhas brilhosas,
E vendo a vida indo embora,
Ao pequenino tudo contou.
A ave trigueira e olhadeira,
Tudo ouviu com louvor.
O observador com saudades da curia,
Uma última moda entoou.
Sua platéia era pequena,
De uma única ave trigueira,
Até que a ceifadora chegou.
Em sua gratidão lisonjeira,
A pequena ave trigueira,
As curias do observador cantou.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Anão Diplomático

Como se faz para ter um pouco de paz? Acredito que esta seja a pergunta mais difícil de responder. Paz não é algo dependente de si, mas uma série de fatores que contribuem para que ela exista. Estar com ela é algo imprescindivel e necessário. Prostrar-se a sua presença é sentir o próprio toque de Deus, chegar ao Nirvana e observar a grandiosidade do Universo. Isso quando se procura a Paz, ou se quer ela por perto.
Contudo vemos que a Terra está longe de alcançá-la ou de tê-la por perto. Estudos recentes comprovam que estamos numa era de extinção de espécies em massa, e que o agente causador disto é o próprio homem. Pois é! Somos tão dotados de inteligencia, habilidades e capacidades, que não nos permitem pensar. Israel bombardeia Gaza em nome da fé e de sua raça, já a fé e a raça de Gaza bombardeia em nome de uma pátria. Os irmãos não se entendem e o mundo intervem, exigem um trégua para a Terra Prometida. A Liga da Justiça através de sua paciência oriental diz que tais atos ferem o mundo e as pessoas que nela moram e todos se chocam.
Porém falar de guerra civíl não é coisa que saibamos. Nossa terra é pacifista, alegre e contagiante, onde reina para o mundo a cachaça, o samba e o futebol. No futebol nossas estrelas se apagam, na cachaça nos embriagam, já para o samba tiramos a roupa pois nobreza já não existe mais. Mas o Brasil não pode se calar. É uma grande nação em ascensão e como tal deve emitir sua opinião, mostrar as grandes nações que sua palavras valem ouro, mais que suas ações que valem lata enferrujada. É pertubador.
Num ato desesperado para mostrar soberania, criticou as ações na Palestina, chamando-as de desproporcionadas. Levamos na cara. Os que se mantem em guerra justificam-se e sabem que ela deva acabar e ainda dizem que desproporcional é ser derrotado humilhantemente naquilo que dizemos que somos bons.

As palavras de nossos amigos vão além do que foi dito. Não basta produzirmos petróleo para exportação se os preços aqui dentro são altos, ou então sermos grandes produtores na agricultura e pecuária se nosso povo passa fome. Eles apenas disseram que são bons em guerras e sabem fazê-las em seu próprio país. Deixemos a diplomacia de lado e ajam para si.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

De que cor?

Era pequena e cinzenta,
Sem na vida sentir dor.
Lenta e pacifica,
Olhou ao seu redor.

Sentiu a noite fria,
Viveu o calor do dia,
Mas o desejo na alma
No seu corpo gritou.

Fechou-se em casa,
Lindas asas criou,
Rompeu-se na Aurora.

O Sol curioso, a pequena perguntou:
Que fará em um dia minha pequena flor?

Vou bater as asas e pintar o mundo de que cor?

E a saúde infartou!

Esta deveria ser a notícia desta ultima quarta-feira (23/07/14). A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fechou as portas por graves crises financeiras, ou seja infartou. Não é a primeira vez que isto acontece ou é noticiado. Lá pelo fim de abril, inicio de maio deste ano ela havia dado o sinal de colapso. Mas espera e cadê o médico? Era apenas uma virose, nada grave, isso acontece com todos; foi o que ele disse. Uma dipirona – 40 gotas a cada oito horas, pra dor e febre quando tiver –, e amoxicilina – um comprimido a cada seis horas durante uma semana, foi o que receitou o doutor. A dor no peito não é nada pra se preocupar é por causa da virose ele disse sem examinar. E assim o placebo funcionou, até que infartou.
A população brasileira está cansada de ouvir a cada quatro anos candidatos à presidência, senadores, deputados, governadores, vereadores e prefeitos promessas infindadas de que isto ou aquilo precisam ser feitos para melhorar a saúde. Apenas o que precisam ser feito, mas pra que fazer? Estas melhorias requerem tempo, dinheiro, esforço e boa vontade, muita boa vontade; porém isso cansa e posso deixar para o outro.
Aí você que precisa de hospitais, postos de saúde ou centros especializados de saúde pública pensa: o que fazer? Quais atitudes esse governantes, administradores da saúde pública devem tomar? A resposta não serão quarenta gotas de dipirona ou paracetamol, muito menos aqueles comprimidos de amoxicilina para virose.
Os brasileiros são vendáveis, se preocupam com banalidades e futilidades. Não sou uma pessoa velha, mas convivo e convivi com pessoas bem velhas, que sofreram com a Ditadura e com as grandes inflações; no entanto algo eles tem de comum: a observação. Já ouvi grandes pensadores dizerem que precisamos discutir política. Não os podres da política, mas o que é necessário para se aplicar uma boa política. A população brasileira ainda se ilude com belas palavras e falsos moralismo. Não avaliam com prudência os fatos que os cercam. Se agarram a falsos assistencialismo, que são garantidores de votos.
A situação da Santa Casa de Misericóridia de São Paulo, não é algo que acontece apenas em São Paulo, ela está presente no Brasil inteiro. E de quem é a culpa? Não é da estrela, do tucano, do liberal, do democrata, do ambientalista, do socialista ou republicano. Esta é a culpa do povo que não tem capacidade de avaliação e escolhe despreparados para nos representarem.
Acusar movimentos partidários é fácil, mas reconhecer o próprio erro é difícil. Erramos e isso nos causa dor. Dores que causam mortes, dores que dificultam a assistência a vida.

Agora o médico que errou depois de meses viu que não era uma virose diagnosticou o infarto. O paciente por sua vez sofreu uma intervenção imediata, contudo só isso não é necessário. Ele terá que ser reavaliado, fará uma dieta para não morrer e assim para mais vidas não se perder.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Realismo português e sua segunda fase

Em 1865 com Antero de Quental surge o realismo e naturalismo português, marcado por renovações ideológicas, científicas e artísticas. A Europa está passando por um processo de transformações nas aceitações modernas, o que acaba fazendo gerar a Questão Coimbrã, que foi uma luta entre poetas românticos conservadores e o dos poetas realistas contestatórios. Sendo os conservadores em Coimbra com António Feliciano de Castilho e o realismo desenrolando-se em Lisboa com Antero de Quental.
Como toda corrente (seja ela artística ou não) sempre vai de encontro a sua anterior a eles - os realistas - questionavam a poesia romântica, com isso surgem novas idéias para o como construir a poesia portuguesa, gerando assim três tipos de poesias: a de divulgação, do cotidiano e da metafísica.
A Europa estava em grande expansão industrial, o capitalismo encontrava-se em seu auge e a burguesia ganha espaço político, bem como o surgimento do proletariado. As invenções estão a todo vapor, surgem então o telefone, locomotiva, telegrafo e a possibilidade de novas fontes de energia, como o petróleo.
Esta expansão influenciou ativamente nas produções literárias e artísticas da época, pois se deixou de lado toda a subjetividade, para retratar com afinco as mazelas da época.
As origens literárias do realismo e naturalismo remontam a França com Madame Bovary de Flaubert, expondo por assim dizer o lado feio da sociedade europeia.
Assim como Antero de Quental, Oliveira Martins e Guerra Junqueiro, Eça de Queirós teve uma grande importância nesse período. O realismo e naturalismo português podem ser divididos em duas grandes etapas, sendo que Eça de Queiroz participou ativamente da segunda fase do realismo, sendo o maior representante da prosa realista retratando em suas obras, críticas sobre muitas questões da sociedade da época visto que passou com força marcante se dividindo em três fases deste período literário: pré-realista, realista e da maturidade artística.
Em seu período pré-realista, sofre grandes influências românticas de autores germânicos e é considerada a menos importante de sua carreira. Sua obra mais marcante foi Mistério da Estrada de Sinistra, que teve a colaboração de Ramalho de Ortigão e Prosas Bárbaras. Já em sua fase realista, defende os princípios do realismo, atacando a burguesia, o clero e a monarquia e a obra de destaque deste período é o Crime do Padre Amaro, além de Primo Basílio e os Maias. De 1888 até a sua morte suas obras afastam – se dos ideais realistas, voltando-se para as concepções mais humanas e otimistas da realidade; em sua terceira fase é conhecida por uma visão nacionalista e social-nacionalista. Destacam-se as obras A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.

Desta forma a segunda fase do realismo que trata da crítica sobre o caráter do homem a função política foi agregada a uma função estética. Os realistas propuseram ideais de uma realidade social, em que entender a história política e literatura eram inseparáveis.