quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A filha da Loba

José, um jovem professor de História, casou-se com Maria, e os dois tiveram uma filha. Stella nasceu forte, bonita e faminta, mas a mãe estava fraca, pálida e febril e mal podia amamentar a criança. Para grande tristeza, Maria morreu três dias depois. Stella estava órfã. Foi inicialmente amamentada com leite de vaca, que lhe fez muito mal a saúde. Provocava vômitos e diarreias, fosse o leite fervido ou cru. Tentaram alimentar com leite industrializado, empacotado, engarrafado e em pó, e o resultado foi o mesmo. Todos os tipos e marcas de leite foram testados. Nenhum deu bons resultados. O organismo da menina não aceitava leite de vaca. Recorreram ao leite de cabra, e ao de ovelha, que também não funcionaram. Apelaram depois ao leite de égua, igualmente rejeitado pelo organismo da menina. Contrataram uma ama de leite, mas a menina recusou seus seios. enganavam a fome da recém-nascida com chazinhos de camomila, capim-cheiroso, cidreira. Ela parava de chorar momentaneamente e dormia, mas logo acordava chorando de fome. Estava um trapinho, só pele e osso. temeram pelo pior.
No mesmo dia em que Stella nasceu, Loba, a cadela pastor alemão da família, um belo animal de pelagem preta, teve três cachorrinhos, fortes e espertos. Mas no terceiro dia eles morreram, ninguém soube dizer por quê. Loba andava pela casa à procura dos filhotes. Tinha as tetas cheias de leite, que escorria até o chão. Não tendo achado seus filhotes, Loba foi deitar-se debaixo do berço de Stella, que estava sendo alimentada, sem efeito visível, com soro aplicado na veia. Não houve quem tirasse a cadela dali. A qualquer tentativa de a expulsar do quarto, ela rosnava e mostrava os dentes. José sabia que a cachorra sofria e que tinha leite. Veio-lhe à mente a lenda dos fundadores do império romano. Num impulso, pôs Stella para mamar em Loba. Loba aceitou Stella mamando em suas tetas, e Stella aceitou o leite de Loba.
A cachorra foi definitivamente instalada no quarto, e a menina recuperou o vigor e logo começou a crescer e engordar. José acomodou as duas numa cama grande, mas não queria que a notícia se espalhasse. E antes que as coisas tomassem esse rumo, demitiu os empregados da casa e manteve a cadela escondia no quarto. Quando visitas vinham ver a menina, só a mostrava na sala, sem a cachorra, é claro. Depois Stella começo a comer papinhas e outros alimentos sólidos e José achou que já estava na hora do desmame. Mas quem disse que Loba deixava Stella? Quando o pai se aproximava para lhe tirar a menina, ela rosnava para ele feito fera e lhe mostrava os dentes, pronta para atacar. Se não tivesse a cachorra por perto, Stella não dormia e chorava chamando por ela. Só se aquietava quando sua cabecinha repousava na barriga da Loba. dormia com a cadela lambendo-lhe o rosto. O pai se desesperava com a cena, precisava por um fim naquilo tudo. Tentou, inutilmente, o possível e o impossível para separar as duas.Sem saber mais o que fazer, José acabou por mandar matar a Loba. A menina chorou a ausência de sua ama de leite, mas aos poucos se acostumou com a nova situação. Cresceu forte e sadia até tornar-se a moça mais bonita e cobiçada do lugar.
Boa moça, bem formada, pretendentes é o que não lhe faltava. Stella teve um único e grande amor e cedo se casou com ele. viveram felizes por um tempo e ainda mais felizes se tornaram quando Stella revelou ao marido e companheiro que em breve ele seria pai. Para o jovem casal, o mundo passou a girar em torno de uma espera cultivada com amor. Seria menino? Ou seria uma menina? Naquele tempo nenhum exame permitia antecipar o que o ventre escondia. tentavam adivinhar o sexo do bebê em marcas e sinais no corpo da mãe, na forma e no volume da barriga da grávida. pelos movimentos e chutes que a mae sentia havia quem jurasse que seriam gêmeos. Para o casal, era um motivo a mais de alegria.
Mas o nascimento revelou-se uma tragédia, só testemunhada pelo marido, pela parteira e por José, que se lembrou imediatamente da história de Loba, que julgava enterrada e completamente esquecida. o marido de Stella se desesperou. A mãe, porém, recebeu suas crias com carinho, com amor e alegria, como só as mães sabem fazer. Nasceram gêmeos, como se esperava, mas os gêmeos eram dois cachorrinhos. Tinham a raça e a cor de Loba e a mesma fome de Stella ao nascer. O marido e o pai de Stella, desnorteados tentaram afastar os cãezinhos do peito de Stella. Mas Stella se enfurecia. Protegendo suas crias, mostrava os dentes e rosnava e os morderia se eles não se afastassem da cama. O marido batia a cabeça na parede, se amaldiçoava. A parteira, num canto, assutada, rezava seu terço e pronunciava fórmulas de esconjuros e exorcismo. O marido saiu do quarto não querendo ver mais nada, tinha as feições de um louco, arrancava os cabelos. Logo se ouviu um tiro vindo de outro quarto. O infeliz consorte tirou a própria vida. não teve forças para enfrentar sua desgraça. "Um a menos para compartilhar o segredo horrível", pensou José. Outra testemunha era a chorosa parteira, e o pai de Stella tratou logo de afastá-la. Ela era uma mulher sozinha, parentes somente no Norte. Vivia dizendo que queria acabar seus dias lá. O pai de Stella resolveu atender os desejos da parteira e lhe propôs que ela voltasse para sua terra. Ele lhe pagaria a viagem e lhe daria uma pensão por toda a vida. O silêncio seria sua paga, e ela concordou. Teria que partir imediatamente. Ele a levou de carro até a pensão onde ela morava, ela acertou as contas, pegou suas poucas coisas e partiu sem dizer aonde ia. No caminho da rodoviária, pararam num banco, onde José abriu uma conta para a mulher e providenciou uma ordem de pagamento mensal e vitalícia. Deu-lhe um pouco de dinheiro para a viagem e a chegada, comprou o bilhete e a pôs no ônibus. Virou as costas e voltou para casa. Restava fazer o mais difícil: dar um fim nas crias malditas da filha adorada e depois fazê-la esquecer sua tragédia. Mas ele nada mais pôde fazer: ao voltar para casa, uma tempestade imprevista derrubou ma árvore que esmagou seu carro e tirou sua vida, sem que ele tivesse tempo sequer pra dizer adeus.
Sozinha em casa, Stella escondeu seus filhos. Ao saber da morte do marido e do pai e da partida apressada da parteira, tratou de cuidar de sua vida. Enterrou seus entes queridos, vendeu todas as propriedades da família e se mudou com os filhos para um lugar distante, onde uma nova estirpe de seres encantados povoaria, um dia, o imaginário popular.

Retirado do livro: Jogo de Escolhas de Reginaldo Prandi

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sofrimento que causou sofrer

Quem sois vós almas desorientadas,
Que entraste na vida alheia,
E causaste tanta desolação.
Sofrimento é a fonte de seu prazer,
Desilusão, segurança de seu viver.
Implantastes em nossas vidas
De modo sorrateiro e serena,
Estragastes tudo de bom que pudera ocorrer;
Entretanto agora choras,
De arrependimento fajuto, amargo
Negro e vil.
Seu choro é um arrependimento doido
Que te mata a cada dia.
De soberba tentas sobreviver,
Contudo é de escuridão que vais viver.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Força

Ela não tem pressa para chegar
Mas em seus abraços quer me prender,
De encantos sussurrantes
A tristeza seus lindos dedos
Lançam pra mim.
Então me lembro,
Da essência do meu ser
Sou forja de ferreiro
Que de malhos potentes
Não deixei desvanecer.
Moldo o puro aço em brasa
Para um lindo florete renascer,
Cravejado das mais belas pedras
Para o coração da tristeza estremecer.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Pena em riste

Sentei-me com a pena em riste,
Procurando fazer um poema de amor,
Vivi um ato de esperança ilustre
Que com um piscar de olhos desmoronou.

Sentei-me com a pena em riste
Procurando fazer que tudo amenizasse a dor,
Me vi esquecido no ninho,
Que o lenhador com seu machado
Minha árvore maculou.

Sentei-me com a pena em riste
Tentando fazer de mim, um ator.
As máscaras que tinha não eram firmes,
E de meus olhos uma lágrima rolou..

Sentei-me com a pena triste
Tentando aliviar a dor;
De tristeza em mim consiste,
Sabiá majestosa em seu canto copiou.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

De pobres a reis

 Sempre soubera que a vida era difícil, contudo resolvi despir-me de minha coroa e viver entre os mansos de coração. Tal desprendimento não me custara, nada mais do que o desejo de minha própria alma, de me permitir, sentir as sensações da humildade. Me vestira como tal, para evitar qualquer discriminação entre o azul realeza de qual provinha minha essência, para aderir ao vermelho carmesim da humanidade.
Dava-me o direito de sentir as esperanças, os calores do sol, os ventos gélidos do inverno, os coloridos que me enchiam os olhos da primavera, mas, sobretudo aos tons enferrujados do outono. Dei a minha consciência a liberdade de se expressar, a necessidade de fustigar, acima de tudo a propriedade de absorver o mais divino que a humanidade têm, a capacidade de se renovar.
Provido de tamanhas sensações, soubera que a realeza me chamava. Podia ser o melhor das massas, a divindade da nobreza. O vermelho e o branco de meu manto não eram sinais de alegria, mas a forma humanizada de minha divinização na terra. Os dourados de minhas vestes tornaram-se referência de minha condição de riqueza pela vastidão que se passaria, o cetro na mão direita representava a ordem e a minha vontade de julgo e o globo estrelado em minha mão esquerda dizia de meu dever de governar. Contudo, era a coroa que mais pesava, seu estandarte estrelado e cravejados de pedras diziam a todos a minha soberanidade.
Governaria para todos e seria um rei por todos, mas percebi com o tempo que meu estandarte e meu cetro, afastavam de mim a humanidade que adquiria. Não era tratado como amigo ou conhecido, mas como alguém a ser temido.
Afastei-me da claridade e me vi na escuridão. Fiz julgamentos errados, acusações infames, vendi-me ao diabo em busca de mais poder.
Poder é algo fétido do qual me despojei. Vi com clareza o quão sujo me tonara e o quanto me afastara da divindade que me era concedida.
A era dos nobres acabou, findei meu reinado com tristeza e solidão. Puni-me para remediar as mazelas que causara. Me prendi as masmorras da escravidão.
Abri meus olhos e vi o sol, então soubera o sabor da liberdade.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Têmpera Esperança



Quem na escuridão auspicia a luz?
Sombras atormentadoras ou anjos de luz?
Como posso, em tamanha fraqueza
Querer julgar o prenúncio divino.
Não são: claridade e escuridão,
Que determinam as ações
Do que são o bem e o mal.

Toda maldade se faz jus,
Quando se requer as ações do bem,
Porém nem todo bem é visto,
Com olhos admirados
Se não perante a presença do mal.

Visões são deturpadas por mentes
Sedentas de um auto-si enganoso.
Sementes são jogadas na roleta
E o Gran Royale necessita de despojos.

O que na escuridão auspicia a luz?
Sombras atormentadoras ou anjos de luz?
Dirá o velho pandit hindu:
Nem de sombras eternas, nem eternas de luz;
Apenas um fraco de alma, querendo,
Desejando ser um raio de luz.


sábado, 4 de outubro de 2014

Passos da Omissão


Estamos as vésperas das eleições e a cada dois anos ouvimos balelas que ainda corrompem ingênuos corações eleitorais. Poderia de fato ser uma verdade se não houvesse contrapesos nesta informação. O povo brasileiro sabe de suas necessidades, tanto individual, como coletiva, mas, coloca na penumbra o social. Vejo pessoas de bem se venderem como se nada tivesse acontecendo em sua volta, ou então, fingindo-se de morto, para receber louros infames. Ouso até pessoas saírem em defesa de grupos minorizados como verdadeiros salvas-pátrias, onde seus dilemas tornaram-se escadas para a chegada ao poder.
Poder é uma coisa fétida da qual o ser humano não tem controle, e a mínima parte que conseguem controlar, creem se tornar divindades ou controladores de vontades.
Lutamos para sermos livres e não dependermos de ninguém. Fingimos criar bases e alicerces para uma democracia, que imposta gera direitos a poucos e deveres para muitos. Nossas vidas perderam-se em estúpidas paradas e marchas infantes.
Sonhar é algo que me é permitido e que se submete unicamente a minha vontade. Não sou capaz de dizer a outrem o que deve ansiar ou querer, mas posso ser um mediador, usurpador ou influenciador de sonhos, e é nestes pontos que a política brasileira vem se apoiando. Criar apologias e falsas expectativas deveriam ser crimes e passíveis de morte.
Há alguns anos leis que deveriam combater os tais “bons políticos” com a Lei da Ficha Limpa, mas o que se observa são candidatos tão limpos como um pombal, usando nossos sonhos para atingirem seus ideais. Contudo o povo brasileiro não intervêm a tal insanidade e se veste de asininidade e deixa-se comandar por pseudos-loucos. E há a quem culpar? Claro que sim, a culpa é daqueles a quem damos a maior alforria com o título eleitoral.
Percebo que a campanha eleitora mais parece um concurso público, cuja avaliação está em nossas mãos. Talvez não sejamos bons avaliadores, já que a maioria da população não pensa no bem comum e sim em seu bem-estar. Ao passo que para os candidatos vale tudo para ganhar este emprego público, acharcar, avacalhar, denegrir, usar de falso testemunho, são as armas utilizadas para este ingresso no maior cargo público.
Faz anos que vejo pessoas indo às ruas reivindicando direitos, mas quando é a hora de mostrar sua verdadeira vontade, ela permanece escondida.
Não podemos dizer que somos vítimas, mas causadores de nossa própria dor, vendedores de nossa vontade e sonhos ao diabo em troca de míseros favores ou vantagens.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A culpa é de quem acho que deva ser!

Vivemos em sociedade e isto é um fato sabido e vivido por todos. Somos condicionados e ensinados a viver assim, e quem não adere a tal dogmatismo será considerado um desajustado social ou então um ermitão do deserto.
Os seres humanos por mais pensante que seja, necessita de outrem. Isso é bíblico e encontra-se nas escrituras sagradas, para quem possa pensar que esteja esse que vos fala errado. Deus sentia-se só e com razão, transformou sombras em luz, separou a terra do firmamento, da terra fez que brotassem a vegetação, fez que nascesse frutos e flores, para usufruir desses frutos e flores criou os animais e lhes inflou vida, e do barro criou o rei desses animais, o mais importante, o mais pensante e o mais transformador de todos; o homem e o colocou neste mundo maravilhoso para que pudesse contemplar a maestria de seus poderes divinos. Mas Deus nos criou com um defeito: a incapacidade de ouvi-lo. Por mais sutil que fosse, o homem não era, ou é, capaz de escutar os desabafos de Deus, apenas pequenas partes do que o Altíssimo falava, que soaram como ordens ou proibições. Não que não o tenha Deus feito. O tempo era longo e as conversar curtas e assim o homem sentiu-se sozinho. Foi neste momento que Deus percebeu o defeito humano e para reparar este erro criou da costela do homem a exuberante mulher. Esta foi criada com consciência divina e de uma sensibilidade cuja era de agrado de Deus. O homem força divina e a mulher sensibilidade divina, perfeito. Mas Deus tem que ser superior e deu aos dois, Adão e Eva, o paraíso, para que cuidassem, zelassem e multiplicassem sem nunca perecer, entretanto havia uma condição; era expressamente proibido o consumo de um fruto vermelho, de uma árvore de médio porte no centro do Paraíso. Ela era destinada unicamente ao Poderosíssimo Senhor da Criação.
Deus já tentara uma vez criar alguém para conversar, este o ouvia bem, compreendia as angústias divinas, se compadeceu das dores de Deus e dele apenas uma coisa queria: o próprio poder de Deus. Lúcifer até tentou, desobedeceu as ordens e se saboreou da glória da desordem, porém Deus não teve outra escolha; bani-lo para as trevas como consequência de tamanha confusão. O poder de Deus era imenso, mas compartilhou um pouco com Lúcifer, entre eles o que mais gosta de usar: a persuasão. O diabo arrebatou metade da ordem celeste e vendo que o Santíssimo havia criado novos companheiros e um mundo novo resolveu tomar partido da situação. Esgueirando-se nas sombras, ouviu a proibição divina e resolveu assim causar nova desordem, onde talvez fosse capaz de governar. Com poderes nefastos, adormeceu a Deus e incitou à Eva para que provasse do fruto proibido e foi esta a danação do homem. Deixar-se levar outrem, mesmo sabendo o que é errado e com isso nasceu o primeiro mandamento da sociedade, unir-se em prol de um bem comum.
Deus irritou-se. Acredito que nem tanto pela desobediência humana mas por deixar-se enganar por Lúcifer e não podia deixar tal ato passar ileso e com isso o homem aprendeu sua primeira lição de Direito: para toda ação há uma consequência; se for boa, bons resultados, se forem ruins, atitudes dolorosas. E assim fez Deus, puniu Adão e Eva à mortalidade, ao trabalho para seu sustento e os expulsou do Paraíso. Creio que Deus também tenha se punido e por uma segunda vez e tenha percebido que nem tudo que se cria é uma benção, há contudo algo ainda maior que talvez ele mesmo tenha sentido. Ao ver que Lúcifer tenha se voltado ainda mais contra ele, sabia que um castigo severo poderia ter consequências ainda piores e abrandou. Fez com que Adão e Eva encontrasse meios de sobreviver as turbulências e que deveriam agradecer por isso, e com tudo isso aprendemos o dogmatismo e a gratidão.
Adão e Eva se multiplicaram, seus filhos se multiplicaram e assim nasceu a sociedade. Homem feito para se multiplicar, transformar e aprender a conviver entre si. Até poderia ser mágico, mas algo na escuridão se esgueirava, e o próprio Diabo havia descoberto uma maneira de escapar de sua reclusão. Não que Deus não soubesse, apenas tomou atitudes paternas para filhos diferentes e aqui se faz jus ao ditado: Deus dá o frio conforme o cobertor.
Só Lúcifer sabia do poder que Deus exercia, pois fora dotado de uma parte deste poder e o que me leva acreditar que o poder pode corromper, e então por que tamanho poder não corrompera a Deus? Muitos podem dizer apenas porque ele é Deus, eu direi que há algo em Deus que o transforma especial: a humanidade.
Conforme a expansão do povo e a cultuação a outras divindades, Deus podia ter nos aniquilado, mas não, escolheu alguns eleitos que já compartilhavam de uma sensibilidade, lhes prometeu uma nova terra, uma parte do Paraíso, pois sabia da nossa capacidade, a humanidade nos tornava fracos e impotentes, mas ao mesmo tempo éramos e somos capazes de superar desafios; desde que seguíssemos dez mandamentos. Oras, haviam se passados séculos, eras e sabíamos das consequências da desobediência, foi o que pensou Deus, mas não sabia ele que a capacidade de esquecer era algo que o próprio Lúcifer nos dera como dom. Deixar nas sombras aquilo que não se deve ser lembrado. E novamente fomos punidos, pelo Dilúvio. As águas nos afogaram como fonte de renovação e foi escolhido apenas Noé e sua família para uma nova reestruturação. E assim se fez. Mas havia algo que só o próprio Diabo aprendera: esperar nas sombras, coisa que faz com maestria e paciência e quando tudo parecia caminhar a um bom caminho o caos se fez. Deus tornou-se um objeto de barganha, ícone de desculpas aos erros e tudo aquilo que havia combatido estava de novo aos seus pés. No entanto ele é Deus e se cansara de punir a humanidade e puniu a si mesmo, entregando o fruto de sua própria essência para redimir os pecados da humanidade. Entretanto este ser humano etério descobriu que a desobediência fazia parte do que chamamos de sociedade e que não era de punições ou salvadores que precisávamos e sim da compreensão de nós mesmo.
Com isso o homem se expandiu, fez guerras em nome de Deus sugeridas pelo Diabo, combateu o próprio Demônio jorrando sangue de inocentes, acabamos com a peste e profecias foram profetizadas. Achamos um jeito de nos apaziguarmos e evitamos de que nos matássemos pelo derramamento de sangue. Mas o ardil sempre esteve por lá, no sorriso mascarado, nas palavras doces e encantadas, procurando uma nova maneira de atacar. Sua estratégia principal sempre foi a paciência e como um calculista frio premeditou cada passo. Esteve muito tempo por perto, chegando ao passo de conhecer cada fraqueza humano e onde nossa sustentação pode ser abalada. Incentivou o aprimoramento do pensamento humano, ajudou no desenvolvimento social, apoiou ao capitalismo, socialismo e ao fascismo e escolheu ao capital como fonte de adoração. As mentes evoluíram e com elas deu-se uma guerra fria. Não aquela entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos, mas em Bem e o Mal. Pode parecer louco, mas como disse antes, Lúcifer aprendeu a esperar, aprendeu como ser derrotado, viveu nas sombras para um ataque. Descobriu com o seu julgador como são as táticas de sua vitória e aquilo que o Filho de Deus descobriu ele também tomou ciência.
Neste momento deve me chamar de fanático, Anti-Cristo ou de generes, mas não é isso. Resolvi olhar pelos olhos do outro e antecipar – ou tentar – o que nos reserva o futuro. Crescemos, desenvolvemos coisas maravilhosas para nosso bem, para gozarmos de um prazer ilusório.
Destruímos a terra para torná-la áspera e cinzenta, enchemos-la de cimento para que a mobilidade se desse. Matamos as árvores para colocarmos em seu lugar aços e concretos resistentes ao tempo, do qual chamaremos de lar. Aos animais nós os domesticamos e aqueles que não se curvam aos nossos desejos prendemos ou matamos para provar nossa superioridade e mostrar a que propósito Deus nos deu inteligência. Aos rios e mares degradamos, sujamos com nossas boas intenções o que sempre nos sustentou. Mas o pior de tudo, a mais vil vilania o homem fez por si, se bestializou.
A princípio era uma besta pensante, que destruía a tudo pelo confronto, mas a bestialidade limites ultrapassou. Deixamos que a vaidade e o simples fato de termos nos desenvolvido exponencialmente tomasse conta de nosso ego. Descobrimos como tornar nossa mortalidade em algo distante e nos autointitulamos Deus. Vencemos a cada dia doenças do corpo, criamos remédios para nossos males, procuramos jeitos de vencer a morte esquecendo dos desígnios de Deus. A todo desenvolvimento intelectual que era doloroso, tornou-se habitual, modismo, deixamos de pensar. O Bem em prol do Mal.
Viramos deuses de doenças que criamos e não sabemos curar. Desenvolvemos-nos como criadores de criações incontroláveis e devastadoras e a nossa inteligência emburreceu. Agarramos ao último fio de esperança e nos lembramos das profecias. O mundo se acabará em fogo. Pois é, está acontecendo e não por um fogo divino como Sodoma e Gomorra. Destruímos o pouco Paraíso que nos foi dado e agora não é Deus nos punindo, é a consequência do que estragamos; é a nossa própria falsa divindade se voltando contra nós.
E se perguntarem, qual o papel de Deus nisso tudo? Responderei: nenhum, ele aprendeu com o filho que sacrificou que precisamos consertar as coisas a nossa maneira e para isso rogamos ao Céu pedindo solução. O Grandíssimo até interviria, mas deixou que tentássemos nos resolver, ou melhor tirou sua mais perfeita criação das sombras e deu-lhe um breve instante de pleno poder. Novas guerras se lançaram, a intolerância voltou a moda, pessoas se matam, as águas secaram, religiosos se lançam em ofensas contra irmãos. E então papéis se inverteram, o Mal em favor do Bem. Lúcifer desistiu de ser dono de tamanha desordem e devolveu o trono a quem tem o verdadeiro poder, quem com paciência tudo arrumará. Acredito que Deus esteja feliz com Lúcifer, pois ambos aprenderam algo. Lúcifer não pode controlar tamanho poder, e Deus que os ouvidos humanos deveriam ter sido melhorados.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Animal


Algumas coisas na vida doem, porém todas são superadas. Ou talvez não. Algumas pessoas fazem questão de não se submeterem ao pior tipo de dor: o pensar.
Talvez isso requeira horas de sofrimento que se contrapoem de forma exuberante. Cometer tal ato é quase uma sessão agonizante para morte.
Oras, pode me chamar de doido, ou que talvez tenha sido acometido de algum momento de insanidade, mas posso assegurar-lhe que não. Até posso ser interpelado por algu amante de ideias prontas de onde saíram tais pensamentos, aos quais responderei prontamente: da observação.
Observar é o mais sonoro silêncio de cada ser, a qual cabe, a cada um, ponderar, questionar e avaliar o que convêm. Ouso todos os dias os mais longos devaneios que a humanidade tem a dizer, contudo preferi o silêncio ao clamor dos demais, e por que de tal atitude? Simples contemplá-lo se o dissesse tão rápido. Talvez tenha-lhe faltado algo mais precioso do que a minha resposta, e que encontra-se a sua frente, na qual recusa-se a ver.
Entramos na era da agilidade, onde tudo precisa de prontidão. Estamos na era da mobilidade, aos quais parar um segundo que seja é um diferencial procupante. Tudo precisa de urgência e velocidade, no entanto para o pensar, isso não pode acontecer.
Atualmente nada se é inventado, precisa-se ver o que se tem e criar uma roupagem nova e se esta cair bem, assim se deu uma nova criação.
Se fizermos uma viagem ao passado – de preferência em 4G ou wifi – verá que os filósofos se acabarm, e que muitos ideais fracos dos dias de hoje foram transformadores no passado. Calma. Isso doeu? É simples você acabou de submeter-se a tortura da Inquisição Espanhola da Atualidade, mas ai! Doeu mais ainda? Se você não é um filósofo ou então algum estudioso da História deve sentir que o florete tenha lhe apunhalado em algum órgão vital. E então dirá que agi de uma prolixidade inrreversível, da qual não terei cura. Melhor! Fará aquela expressão watsoniana sobre tudo que estou escrevendo, ou seja...
Você agora deve estar dizendo que sou chato e que não está me entendendo. Pois é, foi isso o que disse! Então me perguntará o que tudo isso tem haver com ensamento e a dor. Fato! Pensar lhe causou dor, o que justificou meu agurmento inicial (ou melhor: aquilo que eu disse no início), depois prove que a falta de pensar criou um animal, pois não pensa; apenas reproduz o que quer que faça e só então comprovei que minha capacidade de aquietar-me e ver que tudo o que acontece é fruto de uma agilidade infantil. Sua habilidade d questionar e avaliar o que lhe convêm, foram substituídos por arreios e cangalhas de velocidade. Dizem a você: só porque junta letras e sabe lê-las, que é capaz de ler e escrever, no entanto não lhe disseram que pensar sobre estes ajuntamentos e leitura cria algo ainda melhor que se chama conhecimento crítico, que o fará uma pessoa capaz de refletir sobre seus atos e o dos outros; e quem sabe um dia criar algo novo que possa mudar o mundo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

23ª Bienal do Livro

Acontece em São Paulo, dos dias 22 a 31 de agosto, a 23ª edição da Bienal do Livro. O evento acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Os ingressos custam R$ 14,00 a inteira e R$ 7,00 meia entrada - para aquisição do meia entrada é necessário ser estudante, maior de 60 anos, SESC Comerciário e há também a Meia Samsung (se você possue aparelho desta marca apresentar na hora da entrada) e Meia Alelo (para quem possui cartão desta operadora)-, e podem ser adquiridos na hora na bilheteria localizada na Avenida Olavo Fontoura, 1209. O evento acontece de segunda a sexta das 9h da manhã até as 22h e de sábado das 10h à 22h. No dia 31 o evento acontecerá das 10h à 21h.
Além de um evento cultural de venda de livros, há também a possibilidade de participar de oficinas e dar de cara com algum autor de livro. E que tal participar de uma palestra, isso pode acontecer.
Para você que tem crianças, podem levá-las. A Bienal contempla todos os tipos de generos e gostos. Vale a pena gastar um tempinho e um dinheirinho para o aprimoramento do cérebro.
Mais imformações veja no link: http://www.bienaldolivrosp.com.br/

Beijos e bom aproveito.

Tons Severos

 Ao abrir os olhos percebi que o mundo era feito de cores vibrantes, aqueles que fazem nossos olhos brilharem. Via que tudo era reluzente de um amarelo vibrante, um laranja quente, tons de azuis radiantes e verdes cheios de esperanças. Tudo tinha um rubor em que faces se enchiam de sangue, pelas horas a fio em que se corria para brincar.
A beleza estava no arco-íris da doçura, em que poucas vezes a tristeza tinha vez. O lilás reconfortante era berço da aurora de um novo amanhecer, e para embalar os sonhos existia o brilho alvo do luar.
Tudo era perfeito, de uma simplicidade secular, que os afagos serviam de bálsamos para a dor sanar.
Mas esta era passou. Ficou para trás a pandeguic e se deu em seu lugar um duro pesar. O amargo do doce se tornou em um doce penar, em que toda alma deve passar.
Hoje ao abrir os olhos, os brilhos se foram e o opaco tomou o tom. Em que vermelhos brilhantes se tornaram puros carmesins. Os azuis empalideceram e o Sol que antes era radioso se tornou esqualido e tedioso, donde os laranjas queimavam os verdes antes primaveril.
Meu mundo agora era fosco, de uma pena dolorosa. Uma alegria prestimosa via o princípio do fim. Sabia que muito se havia passado, pelos cantos desgastados de um retrato antigo.
Saudades daquele tempo em que as cores vibravam, chegou a hora em que os tons se asseveraram.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As Nuvens

Hoje o dia está cinza. Poderia dizer cinza, pois irá chover, ou então cinza por estar frio, mas não. Hoje o dia está cinza. Digo isso, pois a tristeza bateu as portas do meu coração, tentou se alojar de um jeito ladino, como um amor bandido. Entristeci. A humanidade que por mim adquirida foi subtraída aos poucos e aos poucos cessada em estágio final. O pulsante parou como o Zero Absoluto que com superior destreza ali se implantou. O mundo acinzentou, tirou a alegria das cores que um dia meu arco-íris regou; a maldade venceu como um comunista-nazista que apenas pensa em limpar o mundo com pensamentos egoístas.
Vejo o Sol, apenas como um Satélite que esquenta a Terra, objeto sem força e sem cor. Sente o terror de ver as pessoas amadas transgredir a moralidade e amorosidade só para o bem de seu favor. Meu coração petrificou. Pela necessidade de perceber ou mesmo aprender que carinho se foi, o amor despencou, a felicidade se desperdiçou.
Hoje está cinza, não por um céu nublado ou um dia frio, mas pela falta de nobreza que a Humanidade impôs. Meu coração congelou pelo icerberg da feiura que ajuntou-se com amargura e do dia tirou a cor.
Hoje o dia nublou. Nublou e não choveu, e meu coração de tristeza chorou. Chorou e chorou por uma dor que não viveu, por aquela flor que não floresceu, por uma Humanidade que se perdeu. Hoje o dia só acinzentou e por tanta coisa ruim sobreviveu, desejando o calor de um Sol que não nasceu.
O Sol não nasceu, mas mandou a beleza da Lua, clara, branda e nua como emissária de ternura, para bálsamo em minha alma adormecer.

domingo, 17 de agosto de 2014

Atlas Linguístico do Brasil

Esta semana no Jornal Hoje, apresentado por Sandra Annenberg e Evaristo Costa, foi apresentado uma série de reportagem chamado "Sotaques do Brasil". Esta série demonstra a diversidade cultural que temos por este Brasil a fora, como também fala dos estudos Linguísticos realizados em nosso país nos últimos anos. Tais estudos nos agraciaram com o Atlas Linguístico do Brasil que será lançado este ano.
Para muitos que criticaram a série de reportagem, vale lembrar que os estudos não levam só em conta a maneira de falar as sílabas e/ou consoantes em diversas regiões no território brasileiro, mas sim as diversas expressões idiomáticas, como as variações linguísticas muito predominante por aqui.
Vale a pena dar uma olhada na série eaguardar o lançamento do livros.
Para os interessados aí vai o link para ver as reportagens: 
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/08/reporter-da-serie-sotaques-do-brasil-conta-bastidores-da-viagem-pelo-pais.html

Súmulas Fracas

O que é o desejo de amar?
Aquele em que o cheiro enebria,
Uma vontade louca que contagia
Esperança de ver o mundo se transformar.

Deste soneto apaixonado,
De um mundo perdido e encurralado
Amores se perdem em escuridão,
Desejos perdidos em amores banidos.

Amar-se é uma opção,
Odiar-se não mais ilusão
Sangrar-se em vão.

Delírios dispendiosos,
Desejos incolumosos,
Vida de Adão.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Opção e ou Orientação

Sempre acreditei no poder das palavras e as forças transformadoras que elas possuem. Como um ser vivo, a linguagem é algo importante na vida do homem e este como ser pensante é capaz de modificar o peso que as palavras têm. Somos capazes de fazer uso de metáforas e outras figuras de linguagem para atribuir um significado a esta ou aquele verbete. Só que há palavras que não se encaixam de maneira nenhuma ao que se quer dizer.
Neste ultimo final de semana, participei de um simpósio em que o ponto central é a abordagem da diversidade sócio-cultural na educação. Muito se falou sobre a defasagem no ensino fundamental e médio e da dificuldade encontrada pelos professores nas abordagens de temas polêmicos da sociedade sem tomadas de partidos ou chamados temas transversais e até mesmo de diversidade cultural.
O primeiro assunto foi exatamente a política, tanto nacional, como a internacional. Sabemos que de certo modo somos condicionados a pensar nos problemas que estão sempre em evidências, contudo se esqueceu de levar em conta que políticas não se faz apenas falando como discutir, mas levar em conta as vivências de cada aluno e de sua família, além de uma reflexão profunda de acertos e erros. Falar de política é vivê-la, é observar os meios sociais diferenciados e as políticas que estão ou não sendo aplicados a cada realidade.
Falou-se também em meio ambiente e novas tecnologias e na dificuldade de uma educação ambiental no Brasil. Concluiu-se que esta dificuldade está entrelaçada a falta de orientação adequada da família brasileira e da dificuldade de implementação deste tipo de educação no ensino escolar, uma vez que percebemos o distanciamento dos pais e da família das escolas. Vemos que as escolas estão se tornando uma válvula de escape dos pais para se manterem livres dos filhos, o que é uma lástima, demonstrando uma inversão de valores significativa.
Entrou em pauta também a diversidade religiosa, ponto de grandes discusões nas escolas. Com o crescimento de diversas associações evangélicas, percebeu-se uma grande intolerancia religiosa que causam grandes desavenças nos ambientes escolares. Vemos a cada dia um aumento de rixas de pessoas de um grupo religioso contra outro. Vale salientar que o professor como agente mediador em sala de aula não pode tomar ou incentivar nenhum tipo de preletismo a este ou aquela religião. É sabedor de todos que professores também são seres humanos e que possuem suas crenças, contudo somos para muitos um modelo e esta preleção não deve ser de obrigação dos professores e sim de orientação familiar.
Abordou-se sobre o preconceito e com isso se abriu um leque grande desse assunto. Foi mencionado sobre as cotas em universidades, preconceito racial, religioso e o grande assunto da mídia a homoafetividade. Estamos num advento midiástico em que ele vem sendo abordado pela televisão, com o propósito de mostrar as relações humanas e que não há nada de errado nisso. Concordo que o asssunto deva ser abordado na escola, entretanto devemos ressaltar que dentro desse assunto a muito a ser discutido. Hoje temos leis de proteção à homofobia, que do meu ponto de vista não vem ajudando em nada. Podem dizer que sou radical, mas apenas um observador do que vem acontecendo. Sou homossexual, no entanto não acredito que isso tenha ajudado no combate da discriminação. Viramos a moeda e pedimos respeito, mas hoje cometemos o crime que tanto repudiamos. Os homossexuais tem agredido veementemente aos heterossexuais causando assim um certo desconforto.
Mas o ponto crucial do simpósio foi quando um cidadão levanta que tudo isso é culpa da orientação sexual. Deixe-me ressaltar que tal cidadão diz ser psicólogo de formação com mestrado em psicopedagogia infantil. Em todo aquele rebu nesta imensa discusão, pedi licença e questionei ao cidadão se o termo certo não seria opção ao invés de orientação. O caríssimo diz que nos termos psicológicos é orientação, pois escolhemos nossos parceiros e se seremos heteros ou homossexuais. Oras se escolhemos parceiros, se escolhemos se vamos nos relacionar com homens ou com mulheres, isso não pode ser considerado orientação e sim opção. O cidadão filosofou por meia hora sobre Freud e a libido, as novas teorias da sexualidade e tal como se tudo aquilo fosse de relevancia, sendo que dizer que orientação sexual para escolhas era no tanto forçoso. Percebi que até os palestrantes ficaram um tanto confuso e começaram a se perder nas argumentações, então pedi ao cidadão que me respondesse duas perguntas: Você é hetero ou homossexual? O rapaz meio sem jeito disse que era gay. Eis que vem o divisor da discórdia; você escolheu ser gay ou foi orientado? Percebeu-se um certo silêncio enquanto um organizador trazia um dicionário e o inquirido respondeu que havia escolhido. Se fora escolhido ele não foi orientado para isso.
A própria definição da palavra opção pelo dicionário é escolha, alternativa, seleção e para orientação é situação, ação de determinar onde se está e mais precisamente para o caso ação de dirigir alguém para algo ou caminho. Não é a primeira vez que me vejo num debate com pessoas formadas na área de psicologia e que vejo usarem o termo orientação erroneamente. Acredito que tanto em casa, como na escola se deve ter orientação sexual, que implica no uso de anticoncepcionais, métodos contraceptivos, maneiras de sexo seguro, até mesmo se falar sobre a hetero e homossexualidade. Além desses princípios se devem considerar o respeito entre as pessoas, principalmente por suas opções. A maioria das famílias de hoje ainda advém de famílias heterossexuais e acredito que nenhum casal gay ou lésbico tenha sido orientado para sua opção sexual.
A sociedade atual está deturpando de alguma maneira o sentido das palavras e isso é perigoso e explicarei o por quê. Com o baixo nível de cultura e leitura das famílias de classe média e baixa e alto nível e distribuição de mídias em que nos vemos envoltos a capacidade de entendimento e compreensão do que está escrito se encontra abalada. Com isso as pessoas estão absorvendo estas ideias como únicas sem questioná-las. Observei que o mesmo vem acontecendo nos meios acadêmicos e por quê?índices baixos de leituras e pouca criticidade. Estamos aceitando tudo que a televisão e a internet nos oferecem sem verificar a veracidade ou procurar uma segunda opinião.

Terminamos o simpósio criando uma petição ao Conselho Federal de Psicologia para que revejam o termo e que comecem a refletir sobre o assunto.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Augusto Agosto

Chegamos a mais um fim de mês e com isso nascem várias expectativas. É hora de avaliarmos tudoo que aconteceu e tentarmos melhorar para que os erros acontecidos não se repitam. Podemos dizer que julho foi sangrento, violento e triste. Tivemos uma inveja celestial. Isso mesmo, uma inveja celestial.
Deus é capaz de criar tudo e os anjos se tornaram guardiões da humanidade, mas eles nos invejam. Nossa capacidade de fazermos as coisas e deixá-las a visão de todo, deixa-os com vontade de serem um pouco humanos. Contudo sua divindade não os deixam e então escolhem a dedos pessoas que serão abençoadas com dons angelicais, sendo assim a humanidade vê em obras consideradas de humanos os dons dos anjos. Mas os homens têm um fim e os anjos com sua bondade os levam aos seus para escreverem histórias para Deus. Foi o que aconteceu com João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna; humanos que criaram histórias fantásticas, encantaram o mundo, fascinaram povos; entretanto o que faziam eram obras de anjos e escrevem para eles obras de homens. Ficamos pobres e Deus mais rico.
Mas não foi só isso que julho nos revelou. Os aviões caíram, países se hostilizaram e para o Brasil uma saúde doente e uma futebol decadente Irmãos se matam por falta de uma conversa. Ele foi violento e sangrento.
Agosto bate palmas e pede licença e com ele os sonhos de um vento bom. Conhecido como o mês do cachorro louco, começará com 72 horas de paz. Tomara que ao invés de ser dura, ele seja de nobreza augusta.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Lembranças de uma pressa passageira

Tudo não passava de uma grande pressa,
Aquela que não tem a mínima pressa
Que deixava tudo curto e rápido demais.
Tinha pressa, mas não aquela espessa,
Não aquela presa por pressa;
Onde cada pressa era peça
De uma hora quase ilesa.
Tudo não passava de uma tremenda pressa
Em que olhos desatentos eram faróis de desalento.
Horas tornaram-se segundos em passes de mágica,
E mágica apenas uma extensão da pressa do mundo.
A pressa não era presa, de contínua inteligência,
Era apenas pressa, que não tinha pressa de eloquencia.
Pressa não tinha pressa, tinha presas,
Atadas em grandes mesas, algemas sem cadeias.
Ela era pressa, lenta, grande e passageira.

sábado, 26 de julho de 2014

Curió

O que curia um curiador?
Ele curia, mas não cura dor
Curia para ser sabedor,
No entanto ficou com fama
De um grande comentador.
Dessa fama desonrosa,
Não quis saber o curiador.
Foi-se mundo afora,
Tendo na vida de agora
Uma viola e um caderno anotador.
Já que sua sina era ser curiador,
Voou na vida sem temor
De dor e vida eterna,
Um pouco de tudo curiou.
Sua curia ficou sincera
E na hora mais deserta
Moda na sua viola cantou
E o mundo ganhou,
E um pouco mais quis saber
Que de nobreza se intitulou.
Assim se fez na história,
Porém tudo no caderno anotador ficou.
Sua vida ficou enferma,
Contudo da Medicina não curiou,
Apenas procurou um bom doutor;
A quem contou sua vida de curiador.
O doutor entusiasmado,
Um bom remédio receitou,
E aquele que curiava,
Tornou-se um observador.
A viola não tanto tocava,
E e no caderno tudo anotava
A tudo que observara.
Então o observador,
De sua janela reparou,
Que uma pequena ave,
De plumagem negra
E peito castor;
Para ele sempre olhou.
Com mil maravilhas brilhosas,
E vendo a vida indo embora,
Ao pequenino tudo contou.
A ave trigueira e olhadeira,
Tudo ouviu com louvor.
O observador com saudades da curia,
Uma última moda entoou.
Sua platéia era pequena,
De uma única ave trigueira,
Até que a ceifadora chegou.
Em sua gratidão lisonjeira,
A pequena ave trigueira,
As curias do observador cantou.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Anão Diplomático

Como se faz para ter um pouco de paz? Acredito que esta seja a pergunta mais difícil de responder. Paz não é algo dependente de si, mas uma série de fatores que contribuem para que ela exista. Estar com ela é algo imprescindivel e necessário. Prostrar-se a sua presença é sentir o próprio toque de Deus, chegar ao Nirvana e observar a grandiosidade do Universo. Isso quando se procura a Paz, ou se quer ela por perto.
Contudo vemos que a Terra está longe de alcançá-la ou de tê-la por perto. Estudos recentes comprovam que estamos numa era de extinção de espécies em massa, e que o agente causador disto é o próprio homem. Pois é! Somos tão dotados de inteligencia, habilidades e capacidades, que não nos permitem pensar. Israel bombardeia Gaza em nome da fé e de sua raça, já a fé e a raça de Gaza bombardeia em nome de uma pátria. Os irmãos não se entendem e o mundo intervem, exigem um trégua para a Terra Prometida. A Liga da Justiça através de sua paciência oriental diz que tais atos ferem o mundo e as pessoas que nela moram e todos se chocam.
Porém falar de guerra civíl não é coisa que saibamos. Nossa terra é pacifista, alegre e contagiante, onde reina para o mundo a cachaça, o samba e o futebol. No futebol nossas estrelas se apagam, na cachaça nos embriagam, já para o samba tiramos a roupa pois nobreza já não existe mais. Mas o Brasil não pode se calar. É uma grande nação em ascensão e como tal deve emitir sua opinião, mostrar as grandes nações que sua palavras valem ouro, mais que suas ações que valem lata enferrujada. É pertubador.
Num ato desesperado para mostrar soberania, criticou as ações na Palestina, chamando-as de desproporcionadas. Levamos na cara. Os que se mantem em guerra justificam-se e sabem que ela deva acabar e ainda dizem que desproporcional é ser derrotado humilhantemente naquilo que dizemos que somos bons.

As palavras de nossos amigos vão além do que foi dito. Não basta produzirmos petróleo para exportação se os preços aqui dentro são altos, ou então sermos grandes produtores na agricultura e pecuária se nosso povo passa fome. Eles apenas disseram que são bons em guerras e sabem fazê-las em seu próprio país. Deixemos a diplomacia de lado e ajam para si.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

De que cor?

Era pequena e cinzenta,
Sem na vida sentir dor.
Lenta e pacifica,
Olhou ao seu redor.

Sentiu a noite fria,
Viveu o calor do dia,
Mas o desejo na alma
No seu corpo gritou.

Fechou-se em casa,
Lindas asas criou,
Rompeu-se na Aurora.

O Sol curioso, a pequena perguntou:
Que fará em um dia minha pequena flor?

Vou bater as asas e pintar o mundo de que cor?