sábado, 4 de outubro de 2014

Passos da Omissão


Estamos as vésperas das eleições e a cada dois anos ouvimos balelas que ainda corrompem ingênuos corações eleitorais. Poderia de fato ser uma verdade se não houvesse contrapesos nesta informação. O povo brasileiro sabe de suas necessidades, tanto individual, como coletiva, mas, coloca na penumbra o social. Vejo pessoas de bem se venderem como se nada tivesse acontecendo em sua volta, ou então, fingindo-se de morto, para receber louros infames. Ouso até pessoas saírem em defesa de grupos minorizados como verdadeiros salvas-pátrias, onde seus dilemas tornaram-se escadas para a chegada ao poder.
Poder é uma coisa fétida da qual o ser humano não tem controle, e a mínima parte que conseguem controlar, creem se tornar divindades ou controladores de vontades.
Lutamos para sermos livres e não dependermos de ninguém. Fingimos criar bases e alicerces para uma democracia, que imposta gera direitos a poucos e deveres para muitos. Nossas vidas perderam-se em estúpidas paradas e marchas infantes.
Sonhar é algo que me é permitido e que se submete unicamente a minha vontade. Não sou capaz de dizer a outrem o que deve ansiar ou querer, mas posso ser um mediador, usurpador ou influenciador de sonhos, e é nestes pontos que a política brasileira vem se apoiando. Criar apologias e falsas expectativas deveriam ser crimes e passíveis de morte.
Há alguns anos leis que deveriam combater os tais “bons políticos” com a Lei da Ficha Limpa, mas o que se observa são candidatos tão limpos como um pombal, usando nossos sonhos para atingirem seus ideais. Contudo o povo brasileiro não intervêm a tal insanidade e se veste de asininidade e deixa-se comandar por pseudos-loucos. E há a quem culpar? Claro que sim, a culpa é daqueles a quem damos a maior alforria com o título eleitoral.
Percebo que a campanha eleitora mais parece um concurso público, cuja avaliação está em nossas mãos. Talvez não sejamos bons avaliadores, já que a maioria da população não pensa no bem comum e sim em seu bem-estar. Ao passo que para os candidatos vale tudo para ganhar este emprego público, acharcar, avacalhar, denegrir, usar de falso testemunho, são as armas utilizadas para este ingresso no maior cargo público.
Faz anos que vejo pessoas indo às ruas reivindicando direitos, mas quando é a hora de mostrar sua verdadeira vontade, ela permanece escondida.
Não podemos dizer que somos vítimas, mas causadores de nossa própria dor, vendedores de nossa vontade e sonhos ao diabo em troca de míseros favores ou vantagens.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A culpa é de quem acho que deva ser!

Vivemos em sociedade e isto é um fato sabido e vivido por todos. Somos condicionados e ensinados a viver assim, e quem não adere a tal dogmatismo será considerado um desajustado social ou então um ermitão do deserto.
Os seres humanos por mais pensante que seja, necessita de outrem. Isso é bíblico e encontra-se nas escrituras sagradas, para quem possa pensar que esteja esse que vos fala errado. Deus sentia-se só e com razão, transformou sombras em luz, separou a terra do firmamento, da terra fez que brotassem a vegetação, fez que nascesse frutos e flores, para usufruir desses frutos e flores criou os animais e lhes inflou vida, e do barro criou o rei desses animais, o mais importante, o mais pensante e o mais transformador de todos; o homem e o colocou neste mundo maravilhoso para que pudesse contemplar a maestria de seus poderes divinos. Mas Deus nos criou com um defeito: a incapacidade de ouvi-lo. Por mais sutil que fosse, o homem não era, ou é, capaz de escutar os desabafos de Deus, apenas pequenas partes do que o Altíssimo falava, que soaram como ordens ou proibições. Não que não o tenha Deus feito. O tempo era longo e as conversar curtas e assim o homem sentiu-se sozinho. Foi neste momento que Deus percebeu o defeito humano e para reparar este erro criou da costela do homem a exuberante mulher. Esta foi criada com consciência divina e de uma sensibilidade cuja era de agrado de Deus. O homem força divina e a mulher sensibilidade divina, perfeito. Mas Deus tem que ser superior e deu aos dois, Adão e Eva, o paraíso, para que cuidassem, zelassem e multiplicassem sem nunca perecer, entretanto havia uma condição; era expressamente proibido o consumo de um fruto vermelho, de uma árvore de médio porte no centro do Paraíso. Ela era destinada unicamente ao Poderosíssimo Senhor da Criação.
Deus já tentara uma vez criar alguém para conversar, este o ouvia bem, compreendia as angústias divinas, se compadeceu das dores de Deus e dele apenas uma coisa queria: o próprio poder de Deus. Lúcifer até tentou, desobedeceu as ordens e se saboreou da glória da desordem, porém Deus não teve outra escolha; bani-lo para as trevas como consequência de tamanha confusão. O poder de Deus era imenso, mas compartilhou um pouco com Lúcifer, entre eles o que mais gosta de usar: a persuasão. O diabo arrebatou metade da ordem celeste e vendo que o Santíssimo havia criado novos companheiros e um mundo novo resolveu tomar partido da situação. Esgueirando-se nas sombras, ouviu a proibição divina e resolveu assim causar nova desordem, onde talvez fosse capaz de governar. Com poderes nefastos, adormeceu a Deus e incitou à Eva para que provasse do fruto proibido e foi esta a danação do homem. Deixar-se levar outrem, mesmo sabendo o que é errado e com isso nasceu o primeiro mandamento da sociedade, unir-se em prol de um bem comum.
Deus irritou-se. Acredito que nem tanto pela desobediência humana mas por deixar-se enganar por Lúcifer e não podia deixar tal ato passar ileso e com isso o homem aprendeu sua primeira lição de Direito: para toda ação há uma consequência; se for boa, bons resultados, se forem ruins, atitudes dolorosas. E assim fez Deus, puniu Adão e Eva à mortalidade, ao trabalho para seu sustento e os expulsou do Paraíso. Creio que Deus também tenha se punido e por uma segunda vez e tenha percebido que nem tudo que se cria é uma benção, há contudo algo ainda maior que talvez ele mesmo tenha sentido. Ao ver que Lúcifer tenha se voltado ainda mais contra ele, sabia que um castigo severo poderia ter consequências ainda piores e abrandou. Fez com que Adão e Eva encontrasse meios de sobreviver as turbulências e que deveriam agradecer por isso, e com tudo isso aprendemos o dogmatismo e a gratidão.
Adão e Eva se multiplicaram, seus filhos se multiplicaram e assim nasceu a sociedade. Homem feito para se multiplicar, transformar e aprender a conviver entre si. Até poderia ser mágico, mas algo na escuridão se esgueirava, e o próprio Diabo havia descoberto uma maneira de escapar de sua reclusão. Não que Deus não soubesse, apenas tomou atitudes paternas para filhos diferentes e aqui se faz jus ao ditado: Deus dá o frio conforme o cobertor.
Só Lúcifer sabia do poder que Deus exercia, pois fora dotado de uma parte deste poder e o que me leva acreditar que o poder pode corromper, e então por que tamanho poder não corrompera a Deus? Muitos podem dizer apenas porque ele é Deus, eu direi que há algo em Deus que o transforma especial: a humanidade.
Conforme a expansão do povo e a cultuação a outras divindades, Deus podia ter nos aniquilado, mas não, escolheu alguns eleitos que já compartilhavam de uma sensibilidade, lhes prometeu uma nova terra, uma parte do Paraíso, pois sabia da nossa capacidade, a humanidade nos tornava fracos e impotentes, mas ao mesmo tempo éramos e somos capazes de superar desafios; desde que seguíssemos dez mandamentos. Oras, haviam se passados séculos, eras e sabíamos das consequências da desobediência, foi o que pensou Deus, mas não sabia ele que a capacidade de esquecer era algo que o próprio Lúcifer nos dera como dom. Deixar nas sombras aquilo que não se deve ser lembrado. E novamente fomos punidos, pelo Dilúvio. As águas nos afogaram como fonte de renovação e foi escolhido apenas Noé e sua família para uma nova reestruturação. E assim se fez. Mas havia algo que só o próprio Diabo aprendera: esperar nas sombras, coisa que faz com maestria e paciência e quando tudo parecia caminhar a um bom caminho o caos se fez. Deus tornou-se um objeto de barganha, ícone de desculpas aos erros e tudo aquilo que havia combatido estava de novo aos seus pés. No entanto ele é Deus e se cansara de punir a humanidade e puniu a si mesmo, entregando o fruto de sua própria essência para redimir os pecados da humanidade. Entretanto este ser humano etério descobriu que a desobediência fazia parte do que chamamos de sociedade e que não era de punições ou salvadores que precisávamos e sim da compreensão de nós mesmo.
Com isso o homem se expandiu, fez guerras em nome de Deus sugeridas pelo Diabo, combateu o próprio Demônio jorrando sangue de inocentes, acabamos com a peste e profecias foram profetizadas. Achamos um jeito de nos apaziguarmos e evitamos de que nos matássemos pelo derramamento de sangue. Mas o ardil sempre esteve por lá, no sorriso mascarado, nas palavras doces e encantadas, procurando uma nova maneira de atacar. Sua estratégia principal sempre foi a paciência e como um calculista frio premeditou cada passo. Esteve muito tempo por perto, chegando ao passo de conhecer cada fraqueza humano e onde nossa sustentação pode ser abalada. Incentivou o aprimoramento do pensamento humano, ajudou no desenvolvimento social, apoiou ao capitalismo, socialismo e ao fascismo e escolheu ao capital como fonte de adoração. As mentes evoluíram e com elas deu-se uma guerra fria. Não aquela entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos, mas em Bem e o Mal. Pode parecer louco, mas como disse antes, Lúcifer aprendeu a esperar, aprendeu como ser derrotado, viveu nas sombras para um ataque. Descobriu com o seu julgador como são as táticas de sua vitória e aquilo que o Filho de Deus descobriu ele também tomou ciência.
Neste momento deve me chamar de fanático, Anti-Cristo ou de generes, mas não é isso. Resolvi olhar pelos olhos do outro e antecipar – ou tentar – o que nos reserva o futuro. Crescemos, desenvolvemos coisas maravilhosas para nosso bem, para gozarmos de um prazer ilusório.
Destruímos a terra para torná-la áspera e cinzenta, enchemos-la de cimento para que a mobilidade se desse. Matamos as árvores para colocarmos em seu lugar aços e concretos resistentes ao tempo, do qual chamaremos de lar. Aos animais nós os domesticamos e aqueles que não se curvam aos nossos desejos prendemos ou matamos para provar nossa superioridade e mostrar a que propósito Deus nos deu inteligência. Aos rios e mares degradamos, sujamos com nossas boas intenções o que sempre nos sustentou. Mas o pior de tudo, a mais vil vilania o homem fez por si, se bestializou.
A princípio era uma besta pensante, que destruía a tudo pelo confronto, mas a bestialidade limites ultrapassou. Deixamos que a vaidade e o simples fato de termos nos desenvolvido exponencialmente tomasse conta de nosso ego. Descobrimos como tornar nossa mortalidade em algo distante e nos autointitulamos Deus. Vencemos a cada dia doenças do corpo, criamos remédios para nossos males, procuramos jeitos de vencer a morte esquecendo dos desígnios de Deus. A todo desenvolvimento intelectual que era doloroso, tornou-se habitual, modismo, deixamos de pensar. O Bem em prol do Mal.
Viramos deuses de doenças que criamos e não sabemos curar. Desenvolvemos-nos como criadores de criações incontroláveis e devastadoras e a nossa inteligência emburreceu. Agarramos ao último fio de esperança e nos lembramos das profecias. O mundo se acabará em fogo. Pois é, está acontecendo e não por um fogo divino como Sodoma e Gomorra. Destruímos o pouco Paraíso que nos foi dado e agora não é Deus nos punindo, é a consequência do que estragamos; é a nossa própria falsa divindade se voltando contra nós.
E se perguntarem, qual o papel de Deus nisso tudo? Responderei: nenhum, ele aprendeu com o filho que sacrificou que precisamos consertar as coisas a nossa maneira e para isso rogamos ao Céu pedindo solução. O Grandíssimo até interviria, mas deixou que tentássemos nos resolver, ou melhor tirou sua mais perfeita criação das sombras e deu-lhe um breve instante de pleno poder. Novas guerras se lançaram, a intolerância voltou a moda, pessoas se matam, as águas secaram, religiosos se lançam em ofensas contra irmãos. E então papéis se inverteram, o Mal em favor do Bem. Lúcifer desistiu de ser dono de tamanha desordem e devolveu o trono a quem tem o verdadeiro poder, quem com paciência tudo arrumará. Acredito que Deus esteja feliz com Lúcifer, pois ambos aprenderam algo. Lúcifer não pode controlar tamanho poder, e Deus que os ouvidos humanos deveriam ter sido melhorados.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Animal


Algumas coisas na vida doem, porém todas são superadas. Ou talvez não. Algumas pessoas fazem questão de não se submeterem ao pior tipo de dor: o pensar.
Talvez isso requeira horas de sofrimento que se contrapoem de forma exuberante. Cometer tal ato é quase uma sessão agonizante para morte.
Oras, pode me chamar de doido, ou que talvez tenha sido acometido de algum momento de insanidade, mas posso assegurar-lhe que não. Até posso ser interpelado por algu amante de ideias prontas de onde saíram tais pensamentos, aos quais responderei prontamente: da observação.
Observar é o mais sonoro silêncio de cada ser, a qual cabe, a cada um, ponderar, questionar e avaliar o que convêm. Ouso todos os dias os mais longos devaneios que a humanidade tem a dizer, contudo preferi o silêncio ao clamor dos demais, e por que de tal atitude? Simples contemplá-lo se o dissesse tão rápido. Talvez tenha-lhe faltado algo mais precioso do que a minha resposta, e que encontra-se a sua frente, na qual recusa-se a ver.
Entramos na era da agilidade, onde tudo precisa de prontidão. Estamos na era da mobilidade, aos quais parar um segundo que seja é um diferencial procupante. Tudo precisa de urgência e velocidade, no entanto para o pensar, isso não pode acontecer.
Atualmente nada se é inventado, precisa-se ver o que se tem e criar uma roupagem nova e se esta cair bem, assim se deu uma nova criação.
Se fizermos uma viagem ao passado – de preferência em 4G ou wifi – verá que os filósofos se acabarm, e que muitos ideais fracos dos dias de hoje foram transformadores no passado. Calma. Isso doeu? É simples você acabou de submeter-se a tortura da Inquisição Espanhola da Atualidade, mas ai! Doeu mais ainda? Se você não é um filósofo ou então algum estudioso da História deve sentir que o florete tenha lhe apunhalado em algum órgão vital. E então dirá que agi de uma prolixidade inrreversível, da qual não terei cura. Melhor! Fará aquela expressão watsoniana sobre tudo que estou escrevendo, ou seja...
Você agora deve estar dizendo que sou chato e que não está me entendendo. Pois é, foi isso o que disse! Então me perguntará o que tudo isso tem haver com ensamento e a dor. Fato! Pensar lhe causou dor, o que justificou meu agurmento inicial (ou melhor: aquilo que eu disse no início), depois prove que a falta de pensar criou um animal, pois não pensa; apenas reproduz o que quer que faça e só então comprovei que minha capacidade de aquietar-me e ver que tudo o que acontece é fruto de uma agilidade infantil. Sua habilidade d questionar e avaliar o que lhe convêm, foram substituídos por arreios e cangalhas de velocidade. Dizem a você: só porque junta letras e sabe lê-las, que é capaz de ler e escrever, no entanto não lhe disseram que pensar sobre estes ajuntamentos e leitura cria algo ainda melhor que se chama conhecimento crítico, que o fará uma pessoa capaz de refletir sobre seus atos e o dos outros; e quem sabe um dia criar algo novo que possa mudar o mundo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

23ª Bienal do Livro

Acontece em São Paulo, dos dias 22 a 31 de agosto, a 23ª edição da Bienal do Livro. O evento acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Os ingressos custam R$ 14,00 a inteira e R$ 7,00 meia entrada - para aquisição do meia entrada é necessário ser estudante, maior de 60 anos, SESC Comerciário e há também a Meia Samsung (se você possue aparelho desta marca apresentar na hora da entrada) e Meia Alelo (para quem possui cartão desta operadora)-, e podem ser adquiridos na hora na bilheteria localizada na Avenida Olavo Fontoura, 1209. O evento acontece de segunda a sexta das 9h da manhã até as 22h e de sábado das 10h à 22h. No dia 31 o evento acontecerá das 10h à 21h.
Além de um evento cultural de venda de livros, há também a possibilidade de participar de oficinas e dar de cara com algum autor de livro. E que tal participar de uma palestra, isso pode acontecer.
Para você que tem crianças, podem levá-las. A Bienal contempla todos os tipos de generos e gostos. Vale a pena gastar um tempinho e um dinheirinho para o aprimoramento do cérebro.
Mais imformações veja no link: http://www.bienaldolivrosp.com.br/

Beijos e bom aproveito.

Tons Severos

 Ao abrir os olhos percebi que o mundo era feito de cores vibrantes, aqueles que fazem nossos olhos brilharem. Via que tudo era reluzente de um amarelo vibrante, um laranja quente, tons de azuis radiantes e verdes cheios de esperanças. Tudo tinha um rubor em que faces se enchiam de sangue, pelas horas a fio em que se corria para brincar.
A beleza estava no arco-íris da doçura, em que poucas vezes a tristeza tinha vez. O lilás reconfortante era berço da aurora de um novo amanhecer, e para embalar os sonhos existia o brilho alvo do luar.
Tudo era perfeito, de uma simplicidade secular, que os afagos serviam de bálsamos para a dor sanar.
Mas esta era passou. Ficou para trás a pandeguic e se deu em seu lugar um duro pesar. O amargo do doce se tornou em um doce penar, em que toda alma deve passar.
Hoje ao abrir os olhos, os brilhos se foram e o opaco tomou o tom. Em que vermelhos brilhantes se tornaram puros carmesins. Os azuis empalideceram e o Sol que antes era radioso se tornou esqualido e tedioso, donde os laranjas queimavam os verdes antes primaveril.
Meu mundo agora era fosco, de uma pena dolorosa. Uma alegria prestimosa via o princípio do fim. Sabia que muito se havia passado, pelos cantos desgastados de um retrato antigo.
Saudades daquele tempo em que as cores vibravam, chegou a hora em que os tons se asseveraram.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

As Nuvens

Hoje o dia está cinza. Poderia dizer cinza, pois irá chover, ou então cinza por estar frio, mas não. Hoje o dia está cinza. Digo isso, pois a tristeza bateu as portas do meu coração, tentou se alojar de um jeito ladino, como um amor bandido. Entristeci. A humanidade que por mim adquirida foi subtraída aos poucos e aos poucos cessada em estágio final. O pulsante parou como o Zero Absoluto que com superior destreza ali se implantou. O mundo acinzentou, tirou a alegria das cores que um dia meu arco-íris regou; a maldade venceu como um comunista-nazista que apenas pensa em limpar o mundo com pensamentos egoístas.
Vejo o Sol, apenas como um Satélite que esquenta a Terra, objeto sem força e sem cor. Sente o terror de ver as pessoas amadas transgredir a moralidade e amorosidade só para o bem de seu favor. Meu coração petrificou. Pela necessidade de perceber ou mesmo aprender que carinho se foi, o amor despencou, a felicidade se desperdiçou.
Hoje está cinza, não por um céu nublado ou um dia frio, mas pela falta de nobreza que a Humanidade impôs. Meu coração congelou pelo icerberg da feiura que ajuntou-se com amargura e do dia tirou a cor.
Hoje o dia nublou. Nublou e não choveu, e meu coração de tristeza chorou. Chorou e chorou por uma dor que não viveu, por aquela flor que não floresceu, por uma Humanidade que se perdeu. Hoje o dia só acinzentou e por tanta coisa ruim sobreviveu, desejando o calor de um Sol que não nasceu.
O Sol não nasceu, mas mandou a beleza da Lua, clara, branda e nua como emissária de ternura, para bálsamo em minha alma adormecer.

domingo, 17 de agosto de 2014

Atlas Linguístico do Brasil

Esta semana no Jornal Hoje, apresentado por Sandra Annenberg e Evaristo Costa, foi apresentado uma série de reportagem chamado "Sotaques do Brasil". Esta série demonstra a diversidade cultural que temos por este Brasil a fora, como também fala dos estudos Linguísticos realizados em nosso país nos últimos anos. Tais estudos nos agraciaram com o Atlas Linguístico do Brasil que será lançado este ano.
Para muitos que criticaram a série de reportagem, vale lembrar que os estudos não levam só em conta a maneira de falar as sílabas e/ou consoantes em diversas regiões no território brasileiro, mas sim as diversas expressões idiomáticas, como as variações linguísticas muito predominante por aqui.
Vale a pena dar uma olhada na série eaguardar o lançamento do livros.
Para os interessados aí vai o link para ver as reportagens: 
http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/08/reporter-da-serie-sotaques-do-brasil-conta-bastidores-da-viagem-pelo-pais.html

Súmulas Fracas

O que é o desejo de amar?
Aquele em que o cheiro enebria,
Uma vontade louca que contagia
Esperança de ver o mundo se transformar.

Deste soneto apaixonado,
De um mundo perdido e encurralado
Amores se perdem em escuridão,
Desejos perdidos em amores banidos.

Amar-se é uma opção,
Odiar-se não mais ilusão
Sangrar-se em vão.

Delírios dispendiosos,
Desejos incolumosos,
Vida de Adão.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Opção e ou Orientação

Sempre acreditei no poder das palavras e as forças transformadoras que elas possuem. Como um ser vivo, a linguagem é algo importante na vida do homem e este como ser pensante é capaz de modificar o peso que as palavras têm. Somos capazes de fazer uso de metáforas e outras figuras de linguagem para atribuir um significado a esta ou aquele verbete. Só que há palavras que não se encaixam de maneira nenhuma ao que se quer dizer.
Neste ultimo final de semana, participei de um simpósio em que o ponto central é a abordagem da diversidade sócio-cultural na educação. Muito se falou sobre a defasagem no ensino fundamental e médio e da dificuldade encontrada pelos professores nas abordagens de temas polêmicos da sociedade sem tomadas de partidos ou chamados temas transversais e até mesmo de diversidade cultural.
O primeiro assunto foi exatamente a política, tanto nacional, como a internacional. Sabemos que de certo modo somos condicionados a pensar nos problemas que estão sempre em evidências, contudo se esqueceu de levar em conta que políticas não se faz apenas falando como discutir, mas levar em conta as vivências de cada aluno e de sua família, além de uma reflexão profunda de acertos e erros. Falar de política é vivê-la, é observar os meios sociais diferenciados e as políticas que estão ou não sendo aplicados a cada realidade.
Falou-se também em meio ambiente e novas tecnologias e na dificuldade de uma educação ambiental no Brasil. Concluiu-se que esta dificuldade está entrelaçada a falta de orientação adequada da família brasileira e da dificuldade de implementação deste tipo de educação no ensino escolar, uma vez que percebemos o distanciamento dos pais e da família das escolas. Vemos que as escolas estão se tornando uma válvula de escape dos pais para se manterem livres dos filhos, o que é uma lástima, demonstrando uma inversão de valores significativa.
Entrou em pauta também a diversidade religiosa, ponto de grandes discusões nas escolas. Com o crescimento de diversas associações evangélicas, percebeu-se uma grande intolerancia religiosa que causam grandes desavenças nos ambientes escolares. Vemos a cada dia um aumento de rixas de pessoas de um grupo religioso contra outro. Vale salientar que o professor como agente mediador em sala de aula não pode tomar ou incentivar nenhum tipo de preletismo a este ou aquela religião. É sabedor de todos que professores também são seres humanos e que possuem suas crenças, contudo somos para muitos um modelo e esta preleção não deve ser de obrigação dos professores e sim de orientação familiar.
Abordou-se sobre o preconceito e com isso se abriu um leque grande desse assunto. Foi mencionado sobre as cotas em universidades, preconceito racial, religioso e o grande assunto da mídia a homoafetividade. Estamos num advento midiástico em que ele vem sendo abordado pela televisão, com o propósito de mostrar as relações humanas e que não há nada de errado nisso. Concordo que o asssunto deva ser abordado na escola, entretanto devemos ressaltar que dentro desse assunto a muito a ser discutido. Hoje temos leis de proteção à homofobia, que do meu ponto de vista não vem ajudando em nada. Podem dizer que sou radical, mas apenas um observador do que vem acontecendo. Sou homossexual, no entanto não acredito que isso tenha ajudado no combate da discriminação. Viramos a moeda e pedimos respeito, mas hoje cometemos o crime que tanto repudiamos. Os homossexuais tem agredido veementemente aos heterossexuais causando assim um certo desconforto.
Mas o ponto crucial do simpósio foi quando um cidadão levanta que tudo isso é culpa da orientação sexual. Deixe-me ressaltar que tal cidadão diz ser psicólogo de formação com mestrado em psicopedagogia infantil. Em todo aquele rebu nesta imensa discusão, pedi licença e questionei ao cidadão se o termo certo não seria opção ao invés de orientação. O caríssimo diz que nos termos psicológicos é orientação, pois escolhemos nossos parceiros e se seremos heteros ou homossexuais. Oras se escolhemos parceiros, se escolhemos se vamos nos relacionar com homens ou com mulheres, isso não pode ser considerado orientação e sim opção. O cidadão filosofou por meia hora sobre Freud e a libido, as novas teorias da sexualidade e tal como se tudo aquilo fosse de relevancia, sendo que dizer que orientação sexual para escolhas era no tanto forçoso. Percebi que até os palestrantes ficaram um tanto confuso e começaram a se perder nas argumentações, então pedi ao cidadão que me respondesse duas perguntas: Você é hetero ou homossexual? O rapaz meio sem jeito disse que era gay. Eis que vem o divisor da discórdia; você escolheu ser gay ou foi orientado? Percebeu-se um certo silêncio enquanto um organizador trazia um dicionário e o inquirido respondeu que havia escolhido. Se fora escolhido ele não foi orientado para isso.
A própria definição da palavra opção pelo dicionário é escolha, alternativa, seleção e para orientação é situação, ação de determinar onde se está e mais precisamente para o caso ação de dirigir alguém para algo ou caminho. Não é a primeira vez que me vejo num debate com pessoas formadas na área de psicologia e que vejo usarem o termo orientação erroneamente. Acredito que tanto em casa, como na escola se deve ter orientação sexual, que implica no uso de anticoncepcionais, métodos contraceptivos, maneiras de sexo seguro, até mesmo se falar sobre a hetero e homossexualidade. Além desses princípios se devem considerar o respeito entre as pessoas, principalmente por suas opções. A maioria das famílias de hoje ainda advém de famílias heterossexuais e acredito que nenhum casal gay ou lésbico tenha sido orientado para sua opção sexual.
A sociedade atual está deturpando de alguma maneira o sentido das palavras e isso é perigoso e explicarei o por quê. Com o baixo nível de cultura e leitura das famílias de classe média e baixa e alto nível e distribuição de mídias em que nos vemos envoltos a capacidade de entendimento e compreensão do que está escrito se encontra abalada. Com isso as pessoas estão absorvendo estas ideias como únicas sem questioná-las. Observei que o mesmo vem acontecendo nos meios acadêmicos e por quê?índices baixos de leituras e pouca criticidade. Estamos aceitando tudo que a televisão e a internet nos oferecem sem verificar a veracidade ou procurar uma segunda opinião.

Terminamos o simpósio criando uma petição ao Conselho Federal de Psicologia para que revejam o termo e que comecem a refletir sobre o assunto.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Augusto Agosto

Chegamos a mais um fim de mês e com isso nascem várias expectativas. É hora de avaliarmos tudoo que aconteceu e tentarmos melhorar para que os erros acontecidos não se repitam. Podemos dizer que julho foi sangrento, violento e triste. Tivemos uma inveja celestial. Isso mesmo, uma inveja celestial.
Deus é capaz de criar tudo e os anjos se tornaram guardiões da humanidade, mas eles nos invejam. Nossa capacidade de fazermos as coisas e deixá-las a visão de todo, deixa-os com vontade de serem um pouco humanos. Contudo sua divindade não os deixam e então escolhem a dedos pessoas que serão abençoadas com dons angelicais, sendo assim a humanidade vê em obras consideradas de humanos os dons dos anjos. Mas os homens têm um fim e os anjos com sua bondade os levam aos seus para escreverem histórias para Deus. Foi o que aconteceu com João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna; humanos que criaram histórias fantásticas, encantaram o mundo, fascinaram povos; entretanto o que faziam eram obras de anjos e escrevem para eles obras de homens. Ficamos pobres e Deus mais rico.
Mas não foi só isso que julho nos revelou. Os aviões caíram, países se hostilizaram e para o Brasil uma saúde doente e uma futebol decadente Irmãos se matam por falta de uma conversa. Ele foi violento e sangrento.
Agosto bate palmas e pede licença e com ele os sonhos de um vento bom. Conhecido como o mês do cachorro louco, começará com 72 horas de paz. Tomara que ao invés de ser dura, ele seja de nobreza augusta.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Lembranças de uma pressa passageira

Tudo não passava de uma grande pressa,
Aquela que não tem a mínima pressa
Que deixava tudo curto e rápido demais.
Tinha pressa, mas não aquela espessa,
Não aquela presa por pressa;
Onde cada pressa era peça
De uma hora quase ilesa.
Tudo não passava de uma tremenda pressa
Em que olhos desatentos eram faróis de desalento.
Horas tornaram-se segundos em passes de mágica,
E mágica apenas uma extensão da pressa do mundo.
A pressa não era presa, de contínua inteligência,
Era apenas pressa, que não tinha pressa de eloquencia.
Pressa não tinha pressa, tinha presas,
Atadas em grandes mesas, algemas sem cadeias.
Ela era pressa, lenta, grande e passageira.

sábado, 26 de julho de 2014

Curió

O que curia um curiador?
Ele curia, mas não cura dor
Curia para ser sabedor,
No entanto ficou com fama
De um grande comentador.
Dessa fama desonrosa,
Não quis saber o curiador.
Foi-se mundo afora,
Tendo na vida de agora
Uma viola e um caderno anotador.
Já que sua sina era ser curiador,
Voou na vida sem temor
De dor e vida eterna,
Um pouco de tudo curiou.
Sua curia ficou sincera
E na hora mais deserta
Moda na sua viola cantou
E o mundo ganhou,
E um pouco mais quis saber
Que de nobreza se intitulou.
Assim se fez na história,
Porém tudo no caderno anotador ficou.
Sua vida ficou enferma,
Contudo da Medicina não curiou,
Apenas procurou um bom doutor;
A quem contou sua vida de curiador.
O doutor entusiasmado,
Um bom remédio receitou,
E aquele que curiava,
Tornou-se um observador.
A viola não tanto tocava,
E e no caderno tudo anotava
A tudo que observara.
Então o observador,
De sua janela reparou,
Que uma pequena ave,
De plumagem negra
E peito castor;
Para ele sempre olhou.
Com mil maravilhas brilhosas,
E vendo a vida indo embora,
Ao pequenino tudo contou.
A ave trigueira e olhadeira,
Tudo ouviu com louvor.
O observador com saudades da curia,
Uma última moda entoou.
Sua platéia era pequena,
De uma única ave trigueira,
Até que a ceifadora chegou.
Em sua gratidão lisonjeira,
A pequena ave trigueira,
As curias do observador cantou.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Anão Diplomático

Como se faz para ter um pouco de paz? Acredito que esta seja a pergunta mais difícil de responder. Paz não é algo dependente de si, mas uma série de fatores que contribuem para que ela exista. Estar com ela é algo imprescindivel e necessário. Prostrar-se a sua presença é sentir o próprio toque de Deus, chegar ao Nirvana e observar a grandiosidade do Universo. Isso quando se procura a Paz, ou se quer ela por perto.
Contudo vemos que a Terra está longe de alcançá-la ou de tê-la por perto. Estudos recentes comprovam que estamos numa era de extinção de espécies em massa, e que o agente causador disto é o próprio homem. Pois é! Somos tão dotados de inteligencia, habilidades e capacidades, que não nos permitem pensar. Israel bombardeia Gaza em nome da fé e de sua raça, já a fé e a raça de Gaza bombardeia em nome de uma pátria. Os irmãos não se entendem e o mundo intervem, exigem um trégua para a Terra Prometida. A Liga da Justiça através de sua paciência oriental diz que tais atos ferem o mundo e as pessoas que nela moram e todos se chocam.
Porém falar de guerra civíl não é coisa que saibamos. Nossa terra é pacifista, alegre e contagiante, onde reina para o mundo a cachaça, o samba e o futebol. No futebol nossas estrelas se apagam, na cachaça nos embriagam, já para o samba tiramos a roupa pois nobreza já não existe mais. Mas o Brasil não pode se calar. É uma grande nação em ascensão e como tal deve emitir sua opinião, mostrar as grandes nações que sua palavras valem ouro, mais que suas ações que valem lata enferrujada. É pertubador.
Num ato desesperado para mostrar soberania, criticou as ações na Palestina, chamando-as de desproporcionadas. Levamos na cara. Os que se mantem em guerra justificam-se e sabem que ela deva acabar e ainda dizem que desproporcional é ser derrotado humilhantemente naquilo que dizemos que somos bons.

As palavras de nossos amigos vão além do que foi dito. Não basta produzirmos petróleo para exportação se os preços aqui dentro são altos, ou então sermos grandes produtores na agricultura e pecuária se nosso povo passa fome. Eles apenas disseram que são bons em guerras e sabem fazê-las em seu próprio país. Deixemos a diplomacia de lado e ajam para si.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

De que cor?

Era pequena e cinzenta,
Sem na vida sentir dor.
Lenta e pacifica,
Olhou ao seu redor.

Sentiu a noite fria,
Viveu o calor do dia,
Mas o desejo na alma
No seu corpo gritou.

Fechou-se em casa,
Lindas asas criou,
Rompeu-se na Aurora.

O Sol curioso, a pequena perguntou:
Que fará em um dia minha pequena flor?

Vou bater as asas e pintar o mundo de que cor?

E a saúde infartou!

Esta deveria ser a notícia desta ultima quarta-feira (23/07/14). A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fechou as portas por graves crises financeiras, ou seja infartou. Não é a primeira vez que isto acontece ou é noticiado. Lá pelo fim de abril, inicio de maio deste ano ela havia dado o sinal de colapso. Mas espera e cadê o médico? Era apenas uma virose, nada grave, isso acontece com todos; foi o que ele disse. Uma dipirona – 40 gotas a cada oito horas, pra dor e febre quando tiver –, e amoxicilina – um comprimido a cada seis horas durante uma semana, foi o que receitou o doutor. A dor no peito não é nada pra se preocupar é por causa da virose ele disse sem examinar. E assim o placebo funcionou, até que infartou.
A população brasileira está cansada de ouvir a cada quatro anos candidatos à presidência, senadores, deputados, governadores, vereadores e prefeitos promessas infindadas de que isto ou aquilo precisam ser feitos para melhorar a saúde. Apenas o que precisam ser feito, mas pra que fazer? Estas melhorias requerem tempo, dinheiro, esforço e boa vontade, muita boa vontade; porém isso cansa e posso deixar para o outro.
Aí você que precisa de hospitais, postos de saúde ou centros especializados de saúde pública pensa: o que fazer? Quais atitudes esse governantes, administradores da saúde pública devem tomar? A resposta não serão quarenta gotas de dipirona ou paracetamol, muito menos aqueles comprimidos de amoxicilina para virose.
Os brasileiros são vendáveis, se preocupam com banalidades e futilidades. Não sou uma pessoa velha, mas convivo e convivi com pessoas bem velhas, que sofreram com a Ditadura e com as grandes inflações; no entanto algo eles tem de comum: a observação. Já ouvi grandes pensadores dizerem que precisamos discutir política. Não os podres da política, mas o que é necessário para se aplicar uma boa política. A população brasileira ainda se ilude com belas palavras e falsos moralismo. Não avaliam com prudência os fatos que os cercam. Se agarram a falsos assistencialismo, que são garantidores de votos.
A situação da Santa Casa de Misericóridia de São Paulo, não é algo que acontece apenas em São Paulo, ela está presente no Brasil inteiro. E de quem é a culpa? Não é da estrela, do tucano, do liberal, do democrata, do ambientalista, do socialista ou republicano. Esta é a culpa do povo que não tem capacidade de avaliação e escolhe despreparados para nos representarem.
Acusar movimentos partidários é fácil, mas reconhecer o próprio erro é difícil. Erramos e isso nos causa dor. Dores que causam mortes, dores que dificultam a assistência a vida.

Agora o médico que errou depois de meses viu que não era uma virose diagnosticou o infarto. O paciente por sua vez sofreu uma intervenção imediata, contudo só isso não é necessário. Ele terá que ser reavaliado, fará uma dieta para não morrer e assim para mais vidas não se perder.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Realismo português e sua segunda fase

Em 1865 com Antero de Quental surge o realismo e naturalismo português, marcado por renovações ideológicas, científicas e artísticas. A Europa está passando por um processo de transformações nas aceitações modernas, o que acaba fazendo gerar a Questão Coimbrã, que foi uma luta entre poetas românticos conservadores e o dos poetas realistas contestatórios. Sendo os conservadores em Coimbra com António Feliciano de Castilho e o realismo desenrolando-se em Lisboa com Antero de Quental.
Como toda corrente (seja ela artística ou não) sempre vai de encontro a sua anterior a eles - os realistas - questionavam a poesia romântica, com isso surgem novas idéias para o como construir a poesia portuguesa, gerando assim três tipos de poesias: a de divulgação, do cotidiano e da metafísica.
A Europa estava em grande expansão industrial, o capitalismo encontrava-se em seu auge e a burguesia ganha espaço político, bem como o surgimento do proletariado. As invenções estão a todo vapor, surgem então o telefone, locomotiva, telegrafo e a possibilidade de novas fontes de energia, como o petróleo.
Esta expansão influenciou ativamente nas produções literárias e artísticas da época, pois se deixou de lado toda a subjetividade, para retratar com afinco as mazelas da época.
As origens literárias do realismo e naturalismo remontam a França com Madame Bovary de Flaubert, expondo por assim dizer o lado feio da sociedade europeia.
Assim como Antero de Quental, Oliveira Martins e Guerra Junqueiro, Eça de Queirós teve uma grande importância nesse período. O realismo e naturalismo português podem ser divididos em duas grandes etapas, sendo que Eça de Queiroz participou ativamente da segunda fase do realismo, sendo o maior representante da prosa realista retratando em suas obras, críticas sobre muitas questões da sociedade da época visto que passou com força marcante se dividindo em três fases deste período literário: pré-realista, realista e da maturidade artística.
Em seu período pré-realista, sofre grandes influências românticas de autores germânicos e é considerada a menos importante de sua carreira. Sua obra mais marcante foi Mistério da Estrada de Sinistra, que teve a colaboração de Ramalho de Ortigão e Prosas Bárbaras. Já em sua fase realista, defende os princípios do realismo, atacando a burguesia, o clero e a monarquia e a obra de destaque deste período é o Crime do Padre Amaro, além de Primo Basílio e os Maias. De 1888 até a sua morte suas obras afastam – se dos ideais realistas, voltando-se para as concepções mais humanas e otimistas da realidade; em sua terceira fase é conhecida por uma visão nacionalista e social-nacionalista. Destacam-se as obras A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.

Desta forma a segunda fase do realismo que trata da crítica sobre o caráter do homem a função política foi agregada a uma função estética. Os realistas propuseram ideais de uma realidade social, em que entender a história política e literatura eram inseparáveis.

E o mundo se perdeu

Incrível como a humanidade se desenvolveu. Éramos irracionais, pulávamos como macacos e brincávamos na selva como se nada houvesse de melhor. Mas quis o destino que nos aprimorássemos e nos destacássemos entre outros do reino animal. O homem tornou-se racional, aprendemos a dominar o fogo, temos o movimento de pinça que nos ajuda a termos precisão , remodelamos a natureza a nossa vontade com o intuito de conforto, aprendemos astrologia, matemática, ciências e filosofia, criamos a escrita, inventamos teorias e as reinventamos, remodelamos a morte. Nos achamos deuses de uma era tecnológica, de um mundo globalizado, onde pensamentos, valores e ambições se conflitam sem nenhum desprazer e o homem se perdeu.
Desde o principio o homem só precisou de um alvo para a guerra. Seu primeiro objetivo foi a natureza e por sua vez esta se dobrou. O homem se espalhou como praga pela terra, mas alguém precisava reinar e assim se fez. Os reis se tornaram as mãos direitas de deuses e impuseram suas vontades. Aqueles que assim não queriam fizeram novas nações. O mundo se tornou cheio de nações, cheia de ambições e cada um quis impor sua vontade ao outro, assim criamos a guerra.
Com ela lutamos entre si, nos matamos e defendemos ideais tolos. Com ela escravizamos pessoas, massacramos felicidades. Na era moderna vimos a Primeira e a Segunda Guerras, milhares de pessoas sendo massacradas. Tivemos o Vietnã devastado, a Guerra Fria deixou o mundo tenso, até que as nações brigaram pelo ouro negro e a grande invasão ao Kuwait foi inevitável. Ver Sadam Hussein se tornar um ditador não bastou, até que a grande nação a esta fúria aplacou.
Vivemos em tensão, mas parece que as grandes guerras em grandes grades findou. Doce era este desejo, mas judeus e palestinos não se entendiam e se matavam em nome de Deus. E Deus chorou, não um choro de encher rios e fazer o Nilo transbordar, um choro dolorido tingido de um carmesim único, um negro escarlate profundo. Isso parecia o que perturbava a Paz Universal, alterava a Vibração Cósmica, ondulava uma certa Harmonia Celestial. Mais uma doce ilusão, até nascer a grande pressão psicológica.
Nasceu da queda das Torres, e o mundo parou. Vimos um grande articulador entrar em cena, sumir no pó das areias e espalhar um pânico mundial. Os desertos de Deus tornaram-se de novo alvos para um mundo chocar. O mentor de tamanha artimanha foi descoberto e seu corpo jogado ao mar. Porém os cinco elementos não se harmonizaram e desde então a Terra sofre com as pressões.
Milhares se uniram para o progresso de Paz, contudo milhões falharam.

Novamente nos vemos nas Cruzadas, só que desta vez não são cristãos contra mouros, nem anjos contra demônios, são irmãos em nome de Deus. Gaza chora carmesim, Rússia e Iugoslávia mostram seus festins. Porém só uma pergunta não foi respondida: quando será o fim.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Sansão

Não sei o que motiva a humanidade muito menos a um ser em especial, porém acredito que aos cães uma vasilha grande de água, uma maior ainda de comida e um pouco de atenção seriam suficientes para eles, mas para Sansão não.
Você pode pensar e não estaria errado e pode acreditar, ele é um cão. Não é qualquer cão. Ele não late para qualquer coisa, ele não rosna para qualquer um, mas se interessa por qualquer assunto humano, não como um expectador e sim como um filósofo aristosocrático platoniano e já vai entender o que digo.
Ganhei este labrador há quatro anos. Ele pertencia a um eletricista conhecido meu, do qual necessitei de seus préstimos. Você que me conhece ou está prestes me conhecer deve ter isso em mente: detesto trabalhos manuais, serviços pesados e tenho repulsão magnética a trabalhos elétricos, é como água e óleo, ou melhor nitroglicerina e agitação.
Sempre tive a sorte de ganhar cachorros (e pode-se dizer que minha vida basicamente depende de um) e antes de Sansão entrar em minha vida eu tinha um lindo dálmata chamado Rif, qu tinha status de irmão mais novo e guarda costas de minha mãe. Esta excelsiar senhora resolveu trocar a luminária em pleno início de dezembro, pois os homens sabem como são mulheres quando decidem fazer algo então liguei para meu colega. Como ele trabalha no aeroporto e seus préstimos eletricisticos só em seus dias de folga ou após seu horário de trabalho, marcamos par que viesse no dia 08 de dezembro, pois onde moro é feriado. Combinado o dia e o horário era só aguardar para a troca da luminária da cozinha e assim aconteceu. Durante a conversa para troca da luminária ele me perguntou sobre cachorros e se eu gostava destes maravilhosos animais e eu disse que sim. Ele havia comentado que nunca tinha sido criado com cachorros e que tinha um, mas que ele e a mulher não tinham tempo para o bichano e nem trato para o tal e assim surge a pergunta que mudaria minha vida. Você não quer o labrador para você? Não me fiz de rogado e após o término do serviço fui com ele até a casa dele para buscar o Sansão.
Quando me viu parecia que ele sabia o que ia acontecer, correu até mim e me abraçou daquele jeito que só ele sabe fazer. Eu em toda a minha vida com animais nunca só tinha visto aquele olhar duas vezes e esta seria a terceira e eu sabia que algo de especial iria acontecer. E assim foi e assim o é. Ele tinha oito meses e andar com ele na rua era como se um mundo se abrisse ao seu olhar, tudo era novidade e para ele tudo sempre será. A convivencia com pessoas te dando atenção e com outro cachorro era como se o universo não fosse seu limite. Tudo é maravilhoso ao seu olhar. Em um dos poucos momentos em que parava para observar o mundo ao meu redor, o peguei me olhando e sorrindo para mim. Incrível! Seu sorriso era só por estar me observando e é um hábito que ele sempre tem. Não tem que acontecer algo especial para que possa sorrir e não há tempo ruim que o faça perder o sorriso. Estar comigo é um festa, conviver com a família uma explosão de felicidade.
Sua capacidade de alegrar no momento de tristeza é única. É capaz de ficar horas observando e esperar o momento mais propício para chegar sorrateiro e lascar aquela língua molhada em minha mão ou no meu rosto enquanto estou dormindo. Seu ar brincalhão está sempre lá mesmo quando faz aquela cara de doente, ou quando estamos doentes é inteligente o bastante de ficar deitado ao nosso lado.
Como todo cachorro ele apronta das suas e como uma criança que sabe que faz coisa errada abaixa a orelhas, faz aquela cara de cachorro abandonado, amolece meu coração e sorri, como que dizendo eu amo você.
O amor deste cão é incondicional, é transcendental que percebe-se a ofensa em seus olhos quando digo que é filho de uma cadela. Toda a brutalidade de sua raça é compensada pela enorme gratidão e doçura que vemos em seus olhos. Para ele bastar estar, basta lhe tocar o pelo, beijar a ponta de seu nariz molhado (coisa que adora), lhe dar um abraço apertado e fazer brincadeira que fazemos com crianças pequenas para seus dois pequenos universos irradiarem.
Não lhe basta apenas água, comida e uma coçadinha na barriga, ele precisa conversar em silêncio, participar com latidos nas conversas adultas e até tomar partido em uma discussão como um mestre filósofo. Uma simples abelha o diverte é capaz de ficar horas olhando formigas caminharem a sua frente e até se abster da presença das pombas no quintal comendo sua comida. Seu único desejo é de estar, bem estar.



terça-feira, 15 de julho de 2014

A Deusa

Dos meus 24 sinistros dias que passei internado no hospital, tive tempo suficiente para pensar em diversas coisas e entre elas me tornar um observador mais astuto do que era. Mas de tudo isso obtive o incentivo mais inesperado para a minha recuperação. Não estou falando de minha mãe, que na medida do possível estava presentes, nem de meus companheiros de trabalho que muito me auxiliaram neste período, muito menos das enfermeiras ou enfermeiros e médicos que me acompanharam nesta tragetória; mas dela a Deusa.
Sua presença poderia passar mais que silenciosamente ou até mesmo despercebida, porém não era o que acontecia. Eu e meu companheiro de jornada hospitalar a viamos pelo menos duas vezes no dia e quando não aparecia era como se os dias se tornassem mais longos do que era. Para mim, sua presença era mais essencial do que a visita médica que recebi, não por possuir conhecimento técnico em efermagem ou médica, mas por sua confiança e força de vontade, que era contagiante assim como seu sorriso.
Após minha cirurgia, passei trinta e três embriagantes horas no centro pós cirurgico para ser encaminhado ao quarto. Estando lá ainda meio grogue, as primeiras coisas que começa a racionalizar coerentemente é: onde estou e cadê minha família, além daquele barulhinho particular que cada um tem em expressar que está morrendo de fome. Então eis que entra porta adentro a pessoa incubida a me alimentar. Ela chega com a bandeija de café da manhã com o mais simpático sorriso no rosto e diz: Bom dia amiguinho, hora de levantar! Deixa-me a bandeija e se encaminha até a janela para abrí-la e pergunta meu nome com cordialidade. Eu por minha vez respondo e pergunto seu nome em retribuição, mas para minha surpresa; não ouça apenas um nome, porém o nome: Eu sou a Deusa!
Ser acordado por Deusa as sete horas da manhã e esperá-la sempre na hora do almoço era sagrado. Os dois ou tres minutos que conversávamos seriam como horas filosofadas entre dois gênios da humanidade. Aos domingos sua falta era cortante e sufocante. Sua atenção era o diferencial na recuperação, era o que potencializava a mansidão. Todos se sentiam bem com sua ccompanhia.
Depois de ter saído, não tinha mais visto Deusa até a semana passada, enquanto esperava para ser atendido em minha consulta médica, a ví passar com seu carrinho. Pensei que nem teria me visto, porém para minha surpresa ela veio até mim, me comprimentou e acima de tudo lembrou do meu nome. Fiquei pasmo em saber que após meses sem me ver e por várias pessoas que passaram ela ainda se lembrar.

Deusa realmente é mágica e a única coisa que desejo é que continue sendo mágica. 

sábado, 12 de julho de 2014

A culpa é das estrelas

Nesta última quarta feira decidi sair de minha caverna e fugir para ver um filme. Liberar a mente da pressão, entre as diferentes opções decidi ver A Culpa é das Estrelas.
Muitas pessoas devem se perguntar o que leva uma pessoa como eu ir ao cinema e ver um filme desse, simples eu só queria sair de casa e ficar longe o bastante de meus incríveis problemas.
Geralmente assisto filmes baseados em livros após lê-los, porém não foi este o caso. Aproveitei o grande feriado de 9 de Julho e fui até ao Cine Marabá, no centro de São Paulo, comprei meu ingresso e sentei-me confortavelmente em uma poltrona para ver o filme de grandes e boas críticas. A ansiedade me corroeu e aqui vão minhas sutis impressões.
A fotografia do filme é linda e simploria, o que não desmerece em nada a evolução do filme. O tema é tocante e um assunto que realmente envolve a análise filosófica. Os personagens são de uma compexidade humanitária que a simplicidade toma conta. O enredo é bem elaborado para uma adaptação da obra. E agora o mais impressionante: junte todos estes ingredientes, com uma pitada de emoção e voilá e temos um grande sucesso.
Para os duros de coração e com as emoções enraizadas em alguma gleba glacial: vocês irão chorar! Já para os moles, manteigas derretidas, chorões de plantão como eu, uma dica: levem absorventes potentes.
Em minha singela opinião, me senti envolto ao ambiente de amor do filme, que de certa maneira nos levam a refletir sobre conceitos que  possuímos.
Recomendo e indico que assistam.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Decisões.


Poderia falar sobre diversas coisas ou sobre diversoes assuntos, entretanto o foco serão as decisões. Falar sobre um assuto tão complexo poderia me causar traumas irreversíveis e até mesmo uma internação em alguma casa de repouso ou algum tipo de sanatório para filósosfos extremamente abalados dos nervos, mas não é o caso; quem em são consciência não possui uma ternura de loucura: Bem vindo estou sou eu!
Queria poder dizer sobre ensaios maravilhosos de Shakespeare, teorias cartesianas, estudos astrofísicos e quem sabe confabular sobre súmulas juridicas de Joaquim Barbosa, contudo quero apenas levá-lo por um instante em uma reflexão das escolhas que fazemos e o quanto podemos sofrer ou fazer sofrer com elas. Nada é feito por um acaso ou por uma sutil deferencia do cosmos. Tudo que passamos, pensamos e o modo como refletimos são ações cíclicas, mutavéis e transmutavéis de geração a geração.
A humanidade aprendeu através de erros e acertos e o faz até hoje, mas como nasceu a decisão? Ninguém o sabe ou datou tal registro, mas tudo leva a crer que ela esteja atrelado até a origem do homem, quem sabe antes disso na grande criação do homem. Não vale aqui entramos em ramos religiosos ou científicos, pois cada uma fará que tenha opiniões diferenciadas e oblíquas que tornarão as perspectivas de uma decisão raizes profundas.
Há certos tipos de decisões que podemos intitular ou inumerar, pelas quais caminham a humanidade: as tolas, as impensadas e as maquinadas. Decisões tolas são as que causam pequenos inconvenientes, não que não sejam pensadas, mas pouco pensadas com reflexões futeis ou de pouca importância onde seus resultados incomodam. Já as impensadas são fruto de ações, podem complicar muito o futuro até mesmo ao próprio presente, tem fortes inclinações circunstanciais, causam danos profundos e amargam a vida, se vê até uma luz no fim do túnel onde tudo pode ser trevas. As maquinadas são de alto padrão, requinte e sofisticação. Levam tempo para serem processadas, analisa-se todos os prós e contras, propõe metas, avalia cada passo em seus mínimos detalhes o que não quer dizer êxito em seus eventos.
Mas estamos presos a elas, sejam tolas, impensadas ou maquinadas estamos sempre presos. Como diz o nobre comercial “não são as perguntas que movem o mundo, são as escolhas”, todavia não concordo; o que move o mundo são as consequências de suas decisões, elas elencarão os passos seguintes, as decisões futuras. Se tomar um decisão é algo que avolumará sua vida em caminhos certos ou duvidosos, isso não poderei dizer; mas a única coisa que sei é que sempre haverá uma nova decisão a tomar.